Cristina e Inácio casaram-se há 28 anos, apenas três anos depois de se terem conhecido no folclore na Camacha, na Madeira. “Ele tinha algum jeito, eu nunca dancei. Tocava brinquinho [instrumento típico do folclore madeirense], conta à New in Amadora. Deitaram logo o olho um ao outro. “Somos muito parecidos”, mas na loja que tomam conta na Amadora, Produtos da Madeira, “não há cá marido e mulher”.
Cristina Barbosa, 53 anos, é neta de Albano Almeida, o madeirense que incutiu o amor da Madeira na família. É à procura dele que entramos na loja. “Albano Almeida?”, perguntamos. Quem nos responde abana com a cabeça e sorriso trocista. “Não. Quer falar com ele?” Dizemos que sim. “Não pode. Já morreu”.
Há um silêncio comprometedor que dura um segundo e meio. O homem ri-se, é Inácio, o marido de Cristina, neta do fundador. “Desculpe lá, mas eu estou sempre a fazer piadas”.
Cristina e Inácio, que herdaram a Produtos da Madeira — Albano Almeida Lda, já são a “terceira geração que toma conta do negócio da família”. “A loja inicialmente não era aqui, era na Pontinha e com outro ramo. Mais tarde, o meu pai ficou com a empresa, era professor de trabalhos oficinais, sempre gostou de artesanato da Camacha e só vinham produtos regionais de lá”.
Com a abertura das fronteiras da China, “os chineses invadiram de tal forma isto, com preços irrisórios na obra de vime, e sem qualquer qualidade”, que a empresa ressentiu-se e oscilou um bocadinho. “Começámos a pensar como poderíamos responder à situação e pensámos na gastronomia típica da Madeira, a doçaria, os bolos de mel, com fábricas muito antigas com quem trabalhamos há muitos anos, os rebuçados, o mel de cana ,etc”, conta à NiA.
E assim, tudo mudou há cerca de 40 anos, no final dos anos 80. “O meu avô Albano, que já morreu há muitos anos, não viu esta última mudança para os produtos regionais, mas o meu pai, que tem 85 anos, que até há bem pouco tempo ainda vinha aqui, acompanhou essa mudança”, diz Cristina, enquanto vai atendendo clientes, de forma simpática e sempre sorridente.
A neta do fundado sabe que o segredo do sucesso da casa “é a simpatia e a proximidade, além da qualidade dos produtos, todos artesanais e dos melhores produtores madeirenses”. E acrescenta: “Quando um cliente chega cá e pede algum produto que nós não temos, pode ter a certeza de que uns dias depois, ele está cá”.
“Os madeirenses estão em todo o lado”
Cristina Barbosa não tem dúvidas: “Há muito madeirenses, eles estão em todo o lado. Mesmo na Amadora vive muito madeirense e nós começámos a explorar os produtos regionais da Madeira. E daqui fizemos um entreposto de onde fazemos revenda para supermercados e restauração”.
Apenas por altura da pandemia, é que a loja abriu a venda ao público, porque até essa altura, só se fazia negócios em feirinhas na Amadora e nos arredores. “Foi uma boa decisão abrir aqui a loja ao público. Começámos também com a parte do peixe: espada, lapas, bife de atum, o milho frito… Tentamos ter um pouco de tudo, que seja representativo da região”.
A Produtos da Madeira está na Amadora há mais de 40 anos. “O Casal de São Brás é um bom sítio, apesar de todos os preconceitos de que a Amadora é alvo. Nunca tivemos problemas, as pessoas têm bom atendimento. Um dos nossos lemas aqui é a simpatia”.
Na altura do Natal, o Bolo de Mel é o bestseller da loja. O mel de cana é também o que mais se vende na altura do Natal e do Carnaval. E o rebuçado de funcho, que deu origem à palavra Funchal, também vai bem. Já para não falar da poncha, claro, da aguardente de cana e do mel de cana, que só na madeira e que há”, diz Cristina à New in Amadora.
Os preços são altamente convidativos. “Temos rebuçados desde 2€ o pacote, as broas de mel, desde 2,95€, o bolo de mel desde 1,95€ – não pode ser partido com faca, porque o inox deteriora o sabor”, exemplifica.
Os filhos estão atentos ao negócio
Na terceira geração do negócio, os filhos do casal já ajudam. São gémeos, 27 anos. “Eles nasceram nisto. Um está na área de marketing digital, outro na área financeira, mas eles contribuam também aqui. É natural que gostem disto”, diz a mãe.
Cristina já nasceu no continente e mora na Amadora há 50 anos. “Gosto de cá morar, sempre fomos muito bem recebidos, nunca tivemos problemas”, afirma, acrescentando que matam saudades com frequência, uma vez que têm casa na Camacha, em plena ilha da Madeira.
Carregue na galeria para conhecer Cristina e Inácio e os produtos madeirenses que vendem na sua loja.

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