Às vezes, a vida pede alguma criatividade para conseguir pagar as contas no final do mês. Com uma filha de um ano, Camila Silva, 31, decidiu transformar a sua paixão por doces e bolos num negócio. Foi assim que surgiu a Bolos de Casa e, em menos de cinco meses, já conquistou uma clientela fiel na Amadora.
“Comecei por vender um bolo por semana. Depois passou para três e, no Natal, tive tantas encomendas que nem queria acreditar. Foram 16 bolos e quatro empadões encomendados por pessoas que só me conheciam pelo Instagram”, conta.
Durante o dia, Camila divide o seu tempo entre o trabalho num escritório do setor financeiro e a cozinha de casa, além do papel de mãe, este a tempo inteiro. Chega a casa às 16 horas, altura em que começa a preparação dos bolos. Os caseirinhos (15€) são os favoritos dos clientes. Medem 18 centímetros, pesam cerca de 800 gramas a 1 kg e servem oito fatias generosas.
Apesar de pequenos, Camila garante que são muito recheados e saborosos. “Pode escolher entre vários sabores, como limão, amendoim, maçã, milho, chocolate, cenoura, red velvet ou doce de leite. Por 15€ pode escolhes se quer somente o bolo, ou se prefere a versão com recheio e cobertura”, explica.
O sucesso levou-a expandir a ementa e a apostar em novas opções. Frequentou cursos de bolos de festa e incluiu os naked cakes, bem como os bolos de chantilly. Os primeiros podem ser encomendados a partir de 30€ para 12 centímetros, servindo cinco pessoas, e podem chegar aos 60€, para a versão maior, de 33 centímetros, que serve até 30 pessoas. A massa, o recheio e as frutas ficam ao critério de cada cliente. Já os bolos de chantilly “custam 25€ por quilo, já que é um bolo mais detalhado”, explica.
Empadão de frango e de camarão
Camila aposta ainda os seus famosos empadões, de frango (35€) e de camarão (45€), uma receita da época da faculdade, quando ainda vivia no Brasil. “São bem grandes, servem até 12 fatias bem generosas. Preparo a massa não, com manteiga e farinha, e também faço o requeijão. É tudo artesanal”, assegura.
Para as encomendas, o único pedido é que as sejam feitas, pelo menos, com um a dois dias de antecedência via WhatsApp ou Instagram. Para já, ainda não trabalha com entregas. Por isso, os pedidos devem ser levantados a partir das 19 horas, na Falagueira-Venda Nova.
Ver esta publicação no Instagram
Do jornalismo para a cozinha
Natural de Fortaleza, no Ceará, no nordeste do Brasil, Camila licenciou-se em Jornalismo. Já nessa altura era frequente vender bolachas e empadas no campus da universidade, para ter um rendimento extra.
Depois de se formar, visitou Portugal durante as férias e encantou-se com a segurança. Apesar de ter uma boa vida e trabalho na cidade natal, sentia receio de ser assaltada na rua e queria ter mais liberdade de circulação. Em 2018, começou a planear a mudança e, em abril de 2019, mudou-se para Lisboa. A ideia inicial era ficar apenas três meses, mas a vida teve outros planos.
Trabalhou na restauração, primeiro num restaurante venezuelano e depois num café brasileiro, onde começou a desenvolver a paixão por bolos. “Amava trabalhar lá e a dona fazia bolos e chá, aprendi muito com ela”, diz.
Depois de obter a residência, saiu da restauração e encontrou um emprego mais estável no setor financeiro, onde trabalha há cinco anos. No entanto, sempre complementou o rendimento com trabalhos extra.
“Trabalhava nas limpezas e lavava roupa, para ter um rendimento extra. Mas quando engravidei, percebi que meu salário não ia ser suficiente. Sentada no sofá de casa com meu companheiro, foi ele que me incentivou a começar a fazer bolos para vender”, relembra.
Quando o hobby se transforma em negócio
Camila tinha por hábito levar um bolo para o trabalho quase todos os dias e era sempre muito elogiada pelos colegas. No início, mostrou alguma resistência, mas acabou por acreditar que poderia ser uma boa ideia.
A primeira encomenda surgiu precisamente de uma colega. Camila conta que nem sequer tinha começado a divulgação, mas quando ela lhe perguntou se poderia fazer o bolo, não quis recusar. Desde então, passou a investir mais tempo e recursos para fazer crescer a marca nas redes sociais.
Hoje, conta com mais de mil seguidores e conquista muitos clientes através do passa a palavra. “O que as pessoas mais referem é que os meus bolos não são muito doces, nem enjoativos. Além disso, acham que sou muito caprichosa, porque não envio só um caseirinho, vai numa embalagem com um laço e uma decoração. É como se a pessoa recebesse um presente em casa”, afirma.
Além disso, Camila mostra-se sempre muito acessível. As competências jornalísticas ajudam-na a comunicar de forma eficaz e a demonstrar carisma nas redes sociais. Para ela, é essencial um atendimento especial, rápido e personalizado para cada cliente. Agora, sente que finalmente encontrou o seu caminho e ambiciona expandir o negócio a longo prazo.
“O meu maior sonho é trabalhar só com este projeto. É quase uma terapia, sinto-me bem ao saber que fiz outra pessoa feliz. Essa troca faz-me muito bem”, diz. A ideia passa por crescer e transformar a Bolos de Casa numa empresa, sem perder a essência do conceito caseiro.
No futuro, quer abrir uma loja e, quem sabe, ter o seu próprio atelier. “Não quero trabalhar a vida toda para outra pessoa, mas sim ter meu próprio negócio para ter a minha liberdade financeira”, conclui.
Carregue na galeria para conhecer mais sobre a Bolos de Casa.

LET'S ROCK






