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Da cachupa ao fufu: este novo restaurante na Amadora leva-o numa viagem por África

O restaurante Beirão deu lugar ao projeto do senegalês Nicolas Djiba, que aposta em pratos do Senegal a Cabo Verde.

É perto do Mercado da Mina que Nicolas Djiba convida os seus conterrâneos a viajar de volta a África através da gastronomia. O senegalês de 29 anos abriu o restaurante Herança Africana há três meses com um propósito claro: “fazer com que todos se sintam em casa”, revelou à NiA. “Sempre gostei da ideia de ter o meu próprio negócio, mas o que realmente me fez tomar esta decisão foi perceber a falta que eu e os meus amigos sentíamos da comida africana”, conta.

Para saciar a vontade dos sabores da sua terra, o jovem vinha de Cascais, onde vive desde que chegou a Portugal, em 2022, até ao Rossio. “Mas o restaurante era pequeno e nem sempre havia lugar”. Agora que está à frente do próprio negócio, decidiu investir num espaço grande — com dois andares e mais de 20 mesas — onde as famílias encontram pratos de norte a sul do continente africano.

O Thieboudienne é o bestseller da casa. Faça chuva ou faça sol, este prato tradicional do Senegal, mas que se tornou popular em toda a África Ocidental, é a única certeza na ementa. “É arroz cozinhado com peixe, legumes e várias especiarias.” Outro exemplo é o Yassa, preparado com frango ou galinha do campo.

Há ainda cachupa e moamba, de Cabo Verde, fufu, preparado com mandioca e bastante conhecido na Nigéria e no Gana, além de attiéké, original da Costa do Marfim. Os pratos individuais rondam os 10€ e não ultrapassam os 13€. Além disso, a dose dupla fica mais barata.

Servem thiéboudienne, prato tradicional do Senegal

Evelyn Samora é a responsável por todos os pratos do restaurante, apesar de Nicolas dar uma ajuda na cozinha sempre que é necessário. O sorriso e o entusiasmo com que fala revelam o seu amor pela cozinha. “Adoro criar pratos novas e ver as pessoas a prová-los. Estou muito feliz por esta oportunidade”, afirma a jovem de 26 anos, que chegou a Portugal em 2025 e divide a rotina entre o restaurante e o curso de Gastronomia. “Quero ser uma grande chef, conhecida mundialmente”, diz.

Admite não querer limitar-se aos pratos da sua terra. Pelo contrário, o que mais gosta é de descobrir novos sabores e aprender diferentes temperos e combinações. Na Herança Africana, consegue pôr essa multiculturalidade em prática. Isto porque, apesar de o foco estar nos pratos típicos, também servem comida portuguesa para “agradar a todos”.

Do restaurante Beirão à Herança Africana

Durante mais de 40 anos, o espaço onde abriu o restaurante Herança Africana era uma casa tradicionalmente portuguesa. O Beirão servia cozido à portuguesa, polvo à lagareiro, bacalhau e cabrito. Em fevereiro deste ano, encerrou quando a família proprietária decidiu seguir novos caminhos. 

No entanto, os antigos clientes ainda podem encontrar alguns desses pratos no novo restaurante. Evelyn prepara bitoque (12€), polvo à lagareiro (13€), arroz de marisco (13€), dourada grelhada (12€), sardinhas grelhadas (11€) e bacalhau à lagareiro (13€). Quanto aos petiscos, também encontra prego no pão, moelas e caracóis, a outras opções mais tradicionais de África. “Uma delas é o Akara, feito à base de feijão, que é triturado até formar uma massa, que depois é frita”, conta Nicolas.

Também servem pastela, conhecida como fataya, no Senegal, um pastel frito recheado com carne picada, frango ou peixe, juntamente com cebola e especiarias. Geralmente, é servido com kaani, um molho de tomate picante. “Cada unidade custa 1€ mas, se alguém quiser um prato com várias, fazemos seis unidades por 5€”, explica. Para as sobremesa, Evelyn costuma preparar mousse de manga ou de chocolate, arroz-doce e leite-creme.

Quando chegou a Cascais, Nicolas não imaginava abrir o seu próprio restaurante. Veio para estudar Biologia, mas acabou por desistir do curso e começou a trabalhar no Montemar, um restaurante especializado em marisco. “Estive na copa durante cerca de dez meses. Depois perceberam que trabalhava muito e deram-me uma oportunidade na cozinha”, recorda.

Mary, o seu braço-direito

Foi a caminho do trabalho que, um dia, conheceu Mary, que viria a tornar-se o seu braço-direito no restaurante. A norte-americana estava a ter dificuldades em comunicar em português com um funcionário e Nicolas parou para a ajudar. Desde então, construíram uma amizade e uma parceria que deu origem à abertura do restaurante.

“Falávamos muito sobre a vida e os nossos projetos. Nunca quis acordar, ir trabalhar e voltar para casa. Queria criar algo para me desafiar. Quando lhe contei sobre a ideia de abrir um restaurante, ela respondeu: ‘É uma excelente ideia. Posso ajudar-te'”, recorda.

Apesar dos desafios de abrir um novo negócio enquanto imigrante, Nicolas tem esperança em relação ao futuro. Escolheu a Amadora por ser uma cidade multicultural e receptiva a novos conceitos. “Quando vêm ao restaurante, as pessoas sentem-se novamente ligadas ao seu país”, afirma.

O próximo passo é aumentar a equipa e trazer mais chefs especializados em cozinha africana. “No futuro, quando alguém chegar a Portugal e perguntar onde pode encontrar um bom restaurante africano, espero que lhe indiquem o meu espaço”, afirma.

Carregue na galeria para conhecer alguns dos pratos que pode provar no restaurante Herança Africana.

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