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Esteve por um triz de desistir. Agora, é “a baiana que faz o melhor acarajé” da Amadora

Rosana Pena encontrou no festival É um Encontro a força para continuar a cozinhar e sonha agora abrir o próprio restaurante.

Quem vê Rosana Pena a fritar acarajés, uma especialidade da cozinha africana e afro-brasileira, com um sorriso estampado no rosto, não imagina que esteve quase a desistir de tudo. A participação no festival É um Encontro, em 2024, foi o que lhe deu forças para continuar. Este ano, é um dos nomes de destaque do evento, onde é conhecida não por Rosana, mas como “a baiana que faz o melhor acarajé”.

“Aprendi tudo o que sei com as verdadeiras baianas, no bairro dos Mares, em São Salvador da Bahia. As senhoras faziam acarajé, pamonha, bolinho de estudante, e eu, sempre muito curiosa, pus-me a aprender”, recorda.

Cresceu numa família com mais quatro irmãs, além das tias e da mãe. Em casa, as meninas eram preparadas para casar. Por isso, precisavam de saber cozinhar. “Aos fins de semana, fazíamos grandes almoços e perguntava sempre: ‘por que é que temos de tirar a casca do feijão? Por que é que precisamos de ralar a cebola?’ E assim fui aprendendo”, lembra.

Além de ter aprendido com as melhores, a brasileira de 64 anos conta que experimentou um bolinho de leite feito com mandioca pelas mãos de uma mulher baiana que tinha sido escravizada. “Ela vinha a dizer ‘Olha o beijo de leite’, com um tabuleiro na cabeça e saias longas, e eu corria para a janela”, recorda.

Desde então, nunca deixou de reproduzir as receitas que aprendeu quando era miúda. Em 2003, chegou a abriu um restaurante na Praia do Forte, no litoral da Bahia. “Desenvolvia a comida tradicional da Bahia e vegetariana, até porque o próprio acarajé é vegetariano”, sublinha.

Dois anos depois, teve de se mudar para Portugal com o marido, de origem portuguesa-angolana, para cuidar da sogra. “Foi muito duro, tive de começar tudo do zero”, admite.

Um novo começo em Portugal

Desde que chegou, trabalha como porteira na Amadora. No entanto, nunca largou a cozinha. Continuou a tentar fazer parcerias para realizar eventos, aniversários e celebrações. “Custou-me imenso e já estava para desistir de tudo, porque as pessoas não dão uma chance. Até que vi a publicação do É um Encontro no Facebook, percebi que era um festival de comida do mundo e pensei: ‘é isso que eu preciso’”, conta.

Foi muito bem acolhida pela Associação Crescer, responsável pelo evento, e garantiu a sua barraca baiana logo na primeira edição. “Sinto que todos os elementos da Associação têm uma estrelinha dentro de si. Porque fizeram-me brilhar outra vez”, afirma.

Este ano, participa nos três dias do evento com o famoso acarajé, “que não pode faltar”, caruru, feito com quiabo e outros condimentos, como amendoim e castanha, além de sobremesas típicas.

“Estou a levar a cocada mole, tradicional da Bahia, além de outras opções para ficar a comer de joelho para não pecar”, brinca. Além disso, quem passa pela barraca de Rosana sabe que não vai comprar apenas comida. Na verdade, a brasileira faz questão de dar uma verdadeira aula de história.

“Explico, por exemplo, que o caruru é acompanhado com vatapá, farofa, xinxim de galinha e, na tradição do candomblé, é feito como oferenda para Orixá”, conta.

Tudo o que já faz no festival É um Encontro, Rosana sonha poder levar para um espaço próprio. O desejo é conseguir abrir um restaurante onde possa unir a culinária baiana ao seu saudoso samba de raiz e a conversas sobre a cultura da sua terra.

Carregue na galeria para conhecer Rosana Pena.

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