Uma coisa que aprendemos em miúdos é que não se nega a ninguém duas coisas: água e pão. No caso de Fábio sem Pão — é mesmo assim, não é gralha — a história vai mais longe que isto. Fábio é o presidente da Associação dos Moradores do Alto do Moinho, na Amadora, uma coletividade que luta com todas as suas forças para voltar a ter a vida que já teve, e que organiza, a 6 de dezembro, uma sexta-feira, uma noite de fados, onde não faltará animação, música, comes e beber e, claro, pão.
“Esta iniciativa tem como objetivo proporcionar uma noite de fados às pessoas, perto da sua casa e, com isso, estão a contribuir para a sustentabilidade da associação”, afirma à New in Amadora Fábio sem Pão.
O presidente sublinha que a associação “vive de capitais próprios, do trabalho voluntário de um conjunto de pessoas e fazemos estes eventos para a população”.
Há alturas do ano em que correm melhor, outros menos bem. São eventos essenciais para as pessoas estarem, conhecerem novas formas de canto, novas vozes, dar oportunidade à malta nova para mostrar as suas qualidades e isso é um objetivo muito importante para uma associação como a nossa. Até porque depois os próprios fadistas já têm as suas redes montadas, as suas lógicas próprias, e abrir a novos cantores de fado é sempre muito relevante”, sublinha.
O jantar solidário é a 6 de dezembro às 20 horas, e o valor do jantar com o espetáculo de fado custa 20€ por pessoa. “Há mais de 20 anos que fazemos este jantar, que já já tem muita tradição”, sublinha Fábio, 35 anos.
A associação foi perdendo gás
Fundada em 1975, a Associação dos Moradores do Alto do Moinho, localizada na freguesia de Alfragide, a associação foi inicialmente “criada para responder às necessidades de um conjunto de problemas que continuam na ordem do dia: a habitação. As pessoas moravam em Algés e foram ali realojadas e a associação tinha como missão acompanhar o processo e suavizar a transição”, conta à NiA.
Com o passar dos anos, todo aquele bairro foi crescendo, o IKEA trouxe uma nova vitalidade, fazendo com que associação se virasse para a parte mais cultural e recreativa. “Tivemos um grupo de folclore, que era um dos poucos que havia na Amadora, mas agora estamos com muita dificuldade para manter a atividade, porque os jovens não têm muito interesse em manterá atividade. Está demodée, é o que me dizem. Estávamos num caminho interessante, porque conseguimos entrar para a federação do folclore português, mas dado o alheamento da população, o projeto gorou-se”, acrescenta à New in Amadora.
As únicas atividades para dinamizar o grupo “são umas idas ao teatro, com a ajuda de Filipe la Feria”, uma visitas culturais e agora iniciaram a prática do ioga. Mas, também aqui sem sucesso, “porque cada vez há mais associação de yoga, que praticam preços que, para nós são proibitivos”.
Sem pão, mas da terra dele
A origem do nome vem de Moura, no Alentejo, afirma Fábio, que lamenta não ter feito um estudo sobre as origens da família. “Mas reconheço que está tudo trocado”, diz, com ironia. “Adoro pão, sou da terra do pão e, vai-se-a ver, nada”. Ironias do destino. Mas há uma outra razão, que se perde no domínio da ficção. “O que a minha família diz é que na altura, havia uma dívida ao rei e a forma encontrada foi retirarem-nos o pão. Era o pagamento, uma condenação que ainda hoje vigora. E nem se sabe até quando.
Contudo, não esconde que sofreu “bullying de outros miúdos na escola”. “Imagine uma miúdos que tem como nome Fábio sem Pão, é risível. Mas não foi só na escola que foi gozado, acrescenta. “Este era sempre um nome que dava azo a piadas”. Era e é. “Ainda hoje, esto na faculdade a tirar o mestrado, e há sempre a piada que surge, ou colegas estrangeiros que não acreditam que possa ser verdade”. Mas é. E Fábio não leva nada a mal. “Agora tem de se rir de nós próprios”, assegura.
“O pior de tudo é que eu adoro pão. Pão com manteiga, pão com queijo, pão com tudo”, sublinha.
Fábio revela que os seus apelidos rimam e pensava que era regra. “O meu nome é Fábio Filipe Tecelão sem Pão [risos]”, conta. “Toda a gente para dez segundos para se rir, mas é mesmo assim. E, antigamente, achava que todos os meus amigos também tinham um nome com rima. Mas quando me apercebi que não era possível, fiquei bastante desiludido”, conclui.
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