Quando João Pedro e o pai compraram o primeiro talho, nenhum dos dois sabia propriamente trabalhar com carne. Tinham experiência a gerir mercados no Brasil, mas os planos para Portugal passavam precisamente por abrir um negócio semelhante. Até que lhes apareceu uma oportunidade inesperada em Odivelas. Nove meses depois, a família brasileira já gere oito espaços, três deles na Amadora – e fez da picanha argentina uma das imagens de marca da Baby Beef.
“Eu e o meu pai investimos juntos. Como costumamos dizer no Brasil, o negócio ‘caiu-nos no colo’, porque apareceu um rapaz que queria vender um talho e acreditámos que era um excelente nicho”, conta à NiA o jovem de 27 anos. A experiência que ambos tinham na gestão de mercados ajudou na transição para um setor que desconheciam e acabaram por trocar o plano de abrir um mercado pela aposta nos talhos.
Antes de se colocar atrás do balcão, João Pedro passou pelos estaleiros e pelos relvados. No Brasil, trabalhou na construção civil, onde seguiu as pisadas do pai, proprietário de uma construtora, e tentou também uma carreira no futebol. Não jogava em equipas profissionais quando o irmão recebeu uma proposta para fazer testes na Grécia. João decidiu acompanhá-lo, mesmo sem convite.
“O meu irmão já era jogador e recebeu uma proposta de uma equipa grega e foi para lá fazer uma semana de testes. Eu fui também mesmo sem ser convidado. A direção do clube gostou muito de nós dois e acabamos por assinar contrato”, lembra.
Os dois irmãos ficaram a jogar na equipa até 2026 e João chegou mesmo a ser o melhor marcador da terceira divisão, mas uma lesão no joelho acabou por mudar-lhe os planos. “Tive uma carreira breve, mas muito boa. Cheguei a ser o artilheiro da terceira divisão de lá, mas depois lesionei o joelho, desanimei e decidi vir para Portugal, juntamente com os meus pais, e ficar perto do meu irmão.”
A mudança acabou por envolver toda a família. Regressar ao Brasil não era uma alternativa. “Lá não se pode ter um carro, uma mota, viver bem, há sempre um alvo nas costas. A segurança é muito ruim”, diz.
Já em Portugal, pai e filho preparavam-se para voltar a uma área que conheciam bem e abrir um mercado. Foi então que apareceu o talho de Odivelas e decidiram arriscar num setor novo. Até o nome recuperou uma ideia antiga da família: Baby Beef era o nome que o pai sonhava dar a uma churrascaria que queria abrir no Brasil.
A primeira loja abriu em Odivelas, em fevereiro deste ano. Apenas um mês e meio depois, pai e filho inauguraram uma segunda unidade, no Prior Velho. Em junho, o crescimento acelerou: conseguiram uma parceria com algumas lojas do minimercado Amanhecer e acrescentaram mais quatro unidades à rede.
“Conhecemos um rapaz que queria vender quatro unidades do Amanhecer. Decidimos investir, fizemos uma remodelação completa e já tivemos muitos feedbacks positivos”, afirma.
Segundo João, a transformação chamou também a atenção da própria marca. Chegaram a receber uma visita da direção do Recheio, empresa responsável pelo Amanhecer, e foram eleitos como loja modelo em todo o País. “Colocámos ripado, trocámos os equipamentos, é tudo novo. Entra-se numa loja antes e depois parece outro espaço”, sublinha.
Na Amadora, a expansão levou a marca a três moradas. A Baby Beef está presente na Rua Nuno Ferrari, na Avenida Dom Luís e, desde 14 de setembro, na Venda Nova. As outras unidades do concelho ficam em Alfragide.
Quando chegou à mais recente loja, João diz ter encontrado um talho completamente degradado. A família voltou a apostar numa remodelação e, depois da intervenção da Baby Beef, o espaço registou um aumento de faturação de 30 por cento.
Para pai e filho, a rapidez do crescimento explica-se pela combinação entre a qualidade das carnes, o atendimento e a renovação dos espaços. Mas João não tem dúvidas sobre aquilo que deve continuar no centro do negócio. “O nosso principal diferencial é mesmo o talho. Costumo dizer que nós não somos uma mercearia que tem talho, somos um talho que tem mercearia”, sublinha.
E há uma carne que se destaca de todas as outras: a picanha argentina, vendida a 31,98€ por quilo, é a mais procurada nas lojas. Nos balcões encontram-se ainda tomahawk (36,98€/kg), bife da vazia (26,98€/kg), cogumelos recheados (14,98€/kg), hambúrgueres de Angus (16,98€/kg), rolos de carne (14,98€/kg) e espetadas de novilho (19,98€/kg).
A unidade da Venda Nova é, atualmente, a mais completa da rede. “Tem mercado, cafetaria e talho”, afirma João. Além das carnes, há produtos para o dia a dia, como frutas, legumes e artigos de mercearia, enquanto a cafetaria serve cafés, bolos e produtos de pastelaria.
Menos de um ano depois da abertura da primeira loja, a rede já chegou às oito unidades. Para João Pedro, porém, os planos estão longe de terminar aqui. “A nossa meta é, dentro de dois anos, ter pelo menos 50 unidades.”
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