Há quem não espere pelas circunstâncias ideais para tirar um projeto do papel e prefira faz acontecer da melhor forma possível. Foi exatamente o que Joeline Mesquita, de 37 anos, fez. Quando terminava o trabalho como cuidadora de idosos, enchia a sua mota com salgadinhos e doces para vender em salões e oficinas na Amadora. O negócio cresceu tanto que acabou de abrir o Delícias da Jô, um café e snack bar na Rua Engenheiro Lúcio de Azevedo.
“Sonhava com o meu próprio espaço, mas não pensei que fosse tão rápido. Passei um ano e meio a vender salgados na rua e agora surgiu essa oportunidade incrível”, revelou à New in Amadora.
Na montra, é possível ver uma grande variedade de salgados e doces, todos com tempero brasileiro, com preços entre os 2€ e os 7€. “A coxinha é a favorita, porque a nossa é muito recheada. Mas também temos hambúrguer no forno, kibes, rissóis, salgados assados e pastéis. Quanto aos doces, os mais procurados são o bolo de pote e os docinhos”.
Disponível em tamanho grande (5€) ou pequeno (3€), os sabores dos bolos de pote são variados e os clientes podem optar por red velvet, ninho com Nutella, prestígio ou doce de leite com chocolate. Além disso, Joeline também aposta em sobremesas mais típicas do Brasil, como canjica, feita com grãos de milho branco inteiros, cozidos num caldo de leite e açúcar. Pode ainda optar por açaí, pudim e gelados.
Quem prefere, pode encomendar salgadinhos e bolos personalizados para festas e eventos com, pelo menos, 15 dias de antecedência.
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Almoço ou jantar por 8,50€
Como a ideia é ser um restaurante familiar e receber a comunidade durante o dia — já que o espaço está aberto das 7h30 à meia-noite — o Delícias da Jô também inclui refeições diárias na ementa por 8,50€. “Cada dia temos um prato diferente com acompanhamento. Na segunda-feira há bife com fritas ou espetada de peru. Na terça-feira há frango com quiabo ou bife, enquanto na quarta-feira pode optar por espaguete à bolonhesa, bife ou estrogonofe de frango”, explica.
A partir de sexta-feira começam os pratos típicos, como mocotó ou dobradinha. “Começar algo novo assusta, mas as pessoas têm gostado muito. Estou muito grata”, revela.
Joeline comanda a cozinha ao lado da irmã e conta com o apoio de dois funcionários para fazer o espaço funcionar. Desde pequena que já tinha à vontade na cozinha, mas não por diversão e sim por necessidade. “A minha mãe ia trabalhar e nós tínhamos de preparar as refeições, o que fez com que aprendesse sozinha. Hoje, já diz que cozinho melhor do que ela”, comenta.
Apesar do talento para o tempero, acabou por seguir a área dos cuidados com idosos. Quando ainda vivia no Rio de Janeiro, dividia-se entre o cuidado com os mais velhos e alguns trabalhos com vendas de planos de saúde. Aos 28 anos, acabou por abrir uma pizzaria com o ex-marido, onde reacendeu a paixão pela cozinha. No entanto, uma gravidez de risco obrigou-a a parar de trabalhar no restaurante. Passados alguns anos, veio com a família para Portugal.
A mudança para um novo País
“A tia do meu ex-marido morava em Portugal e ele sugeriu a mudança para tentar algo melhor para os nossos filhos, tanto pela qualidade de vida, como pelos estudos. Viemos para mudar de vida”, relembra.
O início não foi fácil. Emocionada, Joeline fala das dificuldades de recomeçar a vida noutro país e recorda quando começou a trabalhar como estafeta no McDonald’s e outras lojas de cadeias. “Fazia entregas de madrugada. Foi o que consegui até legalizar-me e arranjar toda a documentação”, conta.
Já separada do marido e com dois filhos, Angelina, de 11 anos, e Theo, de sete, ficou na dúvida se voltava para o Brasil ou se ficava em Portugal. Depois de hesitar, tomou a decisão de construir a sua vida em terras portuguesas. Voltou a trabalhar como cuidadora de idosos, mas não deixou a cozinha de lado.
“Os meus clientes pediam-me para fazer feijoada ou comidas típicas do Brasil pois gostavam muito do meu tempero. Foram eles que me deram a ideia de começar a vender o que cozinhava”, explica.
Salgados e doces de porta a porta
Foi assim que começou a ter uma jornada dupla de trabalho. Chegava a casa à tarde, preparava os salgados e deixava tudo pronto para o dia seguinte. Acordava, ia novamente para o trabalho e, quando regressava, fritava os salgados, colocava-os na mota e saía para vender pela vizinhança.
“Primeiro, fazia o bolo de pote, que vendia em salões e oficinas. Depois comecei com os salgados. Preparava 50, saía de casa às três da tarde e às seis já tinha vendido tudo”, lembra.
Foi assim, com coragem e determinação, batendo de porta em porta, que conquistou a comunidade e se tornou conhecida na região. Há cerca de um mês e meio, percebeu que já não conseguia dar conta de tudo e passou a dedicar-se apenas à venda dos salgados.
Até que surgiu a oportunidade de ficar com um espaço próprio. Com o apoio de um cliente que se tornou sócio-investidor, decidiu arriscar. Willyan Marino, um cliente fiel e que também apoia o marketing do projeto, insiste em dar-lhe crédito: “Ela tem muita garra, por isso é que tudo está a funcionar. Isto sem contar com o tempero brasileiro. Tudo que ela faz é muito bom”, garante.
Para o futuro, planeia expandir o espaço e abrir novas filiais. Por agora, está focada em planear eventos — como durante o Mundial de Futebol — para transformar o Delícias da Jô num ponto de encontro da comunidade.
Carregue na galeria para conhecer mais sobre o Delicias da Jô.

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