Um prato de comida pode representar muito mais do que um simples conjunto de ingredientes. Dependendo da forma como é preparado, uma refeição pode transformar-se numa verdadeira viagem de memórias afetivas. Foi precisamente com este conceito que o casal angolano Rosa e António Cruz abriu, a 18 de fevereiro, o restaurante de comida caseira Chiara Grill, na Reboleira.
“Na primeira semana em que abrimos, oferecemos arroz doce como sobremesa a uma senhora com cerca de 70 anos. Ao sair, disse que lhe fez lembrar o arroz doce que a mãe preparava quando era miúda. A nossa comida é mesmo caseira. Não só cozinhamos, como ajudamos a resgatar memórias de infância”, afirma Rosa.
Servidos diariamente, os grelhados são o grande destaque — e o principal motivo que levou o casal a abrir o negócio. Ainda assim, há também um prato do dia, sempre diferente, com preços entre os 10€ e os 13,90€.
Rosa, de 46 anos, e António, de 49, vivem em Portugal há 10 e decidiram unir as duas gastronomias: a da terra onde nasceram e a da terra que os acolheu.
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O bitoque (13€) é o prato mais vendido e está disponível todos os dias na ementa fixa. “A primeira vez que o cliente Fernando esteve aqui, pediu o bitoque. É um prato que fazemos bem, mas gostou tanto do nosso que disse: ‘já comi bons bitoques, mas o vosso tempero é mesmo diferente’”, recorda Rosa.
A culinária africana também marca forte presença e o sábado tornou-se o dia oficial dedicado a esses sabores. Entre os clientes, destaca-se a moamba, um dos pratos mais emblemáticos de Angola, feita com frango, dendê ou amendoim, servida com funge, preparado à base de farinha de milho, mandioca ou uma mistura de ambas.
A cachupa, de Cabo Verde, e o caril de camarão, típico de Moçambique, também têm conquistado clientes e despertado um verdadeiro sabor a casa. “Tivemos um cliente de Moçambique, que é cozinheiro, e que adorou o nosso caril. No dia seguinte, voltou e até me mostrou a sua receita”, conta a proprietária e chef.
Para terminar a refeição, as sobremesas mais procuradas são o arroz doce e a serradura, ambas a 2,90€. As refeições podem ser consumidas no local ou levantadas em regime de take-away, já que o restaurante também está disponível na Uber Eats.
Da cozinha de casa para o próprio negócio
Rosa é a principal responsável pela cozinha, contando com a ajuda de Edna, enquanto os filhos e um sobrinho apoiam no serviço de mesa. Antônio, por sua vez, mantém-se mais nos bastidores, conciliando o restaurante com o seu trabalho como consultor financeiro no setor petrolífero.
Quem observa a organização do espaço e o feedback positivo dos clientes dificilmente imagina que o casal não tinha experiência prévia na área da restauração. “Nunca trabalhei numa cozinha profissional. Cozinhava apenas para a família e amigos. Antes, estava em casa a cuidar dos meus três filhos. Isto tem sido um grande desafio”, confessa Rosa.
“Houve uma fase, sobretudo quando me casei, em que esta ideia ganhou mais força. Mas ficou adormecida e nem sabia se algum dia se concretizaria. De repente, surgiu a oportunidade do espaço e decidimos avançar”, explica.
A criação do Chiara Grill
O espaço pertencia a um amigo de António, que fez um acordo com o casal. Depois de renovado, nasceu o Chiara Grill, nome escolhido em homenagem à filha Kiara. Rosa sonha ver, um dia, fila à porta do restaurante para provar o churrasco, a sua grande especialidade.
Já António sublinha a importância de manter a qualidade do serviço e criar um ambiente acolhedor. “Queremos fidelizar os clientes. Há uma senhora que vem cá todos os dias e até já sabemos o que vai pedir. Nem precisa de falar. Gostamos dessa proximidade”, conta.
Para o verão, o plano passa por abrir uma esplanada, permitindo aos clientes desfrutar de uma bebida ao ar livre. “O mais importante é corresponder às expectativas das pessoas. Proporcionar boa comida e um espaço de bem-estar”, conclui.
Carregue na galeria para conhecer o Chiara Grill.

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