Luzinete Moura Rocha costuma dizer, meio a brincar, meio a sério, que já nasceu cozinheira. Aprendiz das mulheres da família, criou os três filhos à base de comida caseira e comandou o próprio food truck durante dez anos no Brasil. Agora elevou a fasquia e assumiu a gestão do restaurante amadorense O Nosso Leitão, com o objetivo de levar o tempero brasileiro aos pratos tipicamente portugueses.
“Em janeiro deste ano, um conhecido assumiu esta casa nos Moinhos da Funcheira com um sócio indiano e convidou-me para trabalhar na cozinha. Mais tarde, a sociedade desfez-se e ele acabou por me passar o restaurante”, conta a brasileira de 64 anos. Ao lado do marido, Marcelo da Silva Barbosa, reabriu as portas d’O Nosso Leitão a 8 de maio. Com mais de 40 mesas e uma esplanada à frente, o espaço serve gastronomia luso-brasileira durante todo o dia, das 9 às 21 horas.
De manhã, há salgados fritos na hora, como quibe, coxinha de frango, bolinho de mandioca com costela desfiada e rissóis de leitão. Cada dose inclui quatro unidades e custa 5€. Além disso, também fazem sandes, que variam entre 1,50€ e 3€.
Ao almoço, existem alguns pratos fixos, como o cozido à portuguesa às quintas-feiras e o leitão aos sábados, mas, na maioria dos dias, Luzinete cria uma ementa diferente. “Decido tudo no dia anterior. Vejo o que me apetece cozinhar, o que os clientes andam a pedir e monto a ementa.”
Ainda assim, há uma regra que não falha: todos os dias existe pelo menos um prato português e um brasileiro. Entre as opções destacam-se a alheira, piano assado, bacalhau com natas, arroz de pato, frango assado e feijoada. Durante a semana, o menu custa 11€ e inclui pão, azeitonas, café e sobremesa. Ao fim de semana chegam os pratos mais elaborados e o menu sobe para 15€, entre pratos como grelhada mista e bacalhau. A grande questão surge: e então, onde é que aparece o leitão?
Apesar de não prepararem a carne na casa, o casal decidiu manter a tradição do leitão por ser algo muito apreciado pelos clientes habituais. “Encomendamos o leitão ao Afonso dos Leitões. Ele entrega tudo cortado e eu preparo as doses bem generosas, com picles, fatias de laranja, molho e batata”, conta. O menu com leitão e uma jarra de vinho custa 18€, enquanto para grupos sobe para 20€, “porque a quantidade de bebida é maior”.

Mais recentemente, saltaram para a carta os inevitáveis caracóis: meia dose custa 5€ e uma dose 10€, com bacon e chouriço para reforçar o sabor. O casal recomenda os petiscos depois das 16 horas, altura em que as imperiais custam 80 cêntimos e combinam com os dias de calor.
Boa parte dos clientes já regressou à casa. Para Luzinete, o segredo está em cozinhar com amor. “Quando preparo um prato para alguém, é como se estivesse a dizer: ‘Eu amo-te’”, admite.
A feijoada brasileira é a sua criação favorita, mas já começou a apaixonar-se pelos pratos portugueses. “Gostei muito de fazer cachupa. É um prato reconfortante, parece um abraço de avó”, diz.
No entanto, nem só de amor vivem os pratos d’O Nosso Leitão. Luzinete admite que encontra sempre forma de dar um toque brasileiro a cada receita. “Uma amiga ensinou-me a fazer o cozido colocando tudo em água e sal, mas eu primeiro frito todas as carnes. Depois, a água fica mais saborosa porque ganha o fundo da panela. Dou sempre o meu toque à comida portuguesa”, explica.
A intimidade com a cozinha começou na infância. Via a mãe e a avó cozinhar e, já adulta, seguiu os passos das mulheres da família. O que nunca imaginou foi ter um restaurante em Portugal.
O casal veio apenas para passar algumas semanas e acabou por criar raízes. “A minha filha mudou-se para a Holanda e deixou os filhos comigo. Depois, em 2023, pediu-me que os levasse até ela. Viemos para Portugal, deixámos os miúdos e decidimos ficar mais algum tempo”, recorda.
Esse “mais algum tempo” transformou-se em semanas, meses e depois anos. O casal ficou hospedado na casa de uma amiga da filha, no Catujal, e Luzinete conseguiu rapidamente trabalho numa cozinha.
Marcelo voltou a trabalhar como motorista de pesados, profissão que já exercia no Brasil, mas acabou por juntar-se à mulher no restaurante. Quando surgiu a oportunidade de assumir O Nosso Leitão, não hesitou. “Mudei radicalmente de vida, mas estou a gostar muito. Descasco batatas, alho, faço tudo o que ela precisar. E também ajudo bastante no atendimento”, conta. O sentimento de gratidão percebe-se não só nas palavras, mas também no sorriso do casal. “Estou a realizar sonhos que nunca sonhei”, diz Luzinete.
Carregue na galeria para conhecer os pratos d’O Nosso Leitão.








