Quando se entra na Pão de Mel, a pastelaria de Vila Chã, por muitos considerada a melhor pastelaria da Amadora, todos os sentidos ficam em êxtase. A diversidade da montra, entre bolos, salgados, miniaturas, a simpatia dos 19 empregados a quem é preciso pagar ordenados todos os meses são uma dor de cabeça para quem gere. Mas uma boa dor de cabeça para quem aproveita. Que o digam os fãs de bolo-rei, que fazem fila até à rua para levantar a sua encomenda na semana do Natal, sobretudo nos dias das festividades.
“Gerir uma pastelaria como esta é uma tormenta, há muitos ordenados para pagar, há impostos decorrentes do trabalho, contas de eletricidade, mas tudo compensa. Temos clientes que se tornaram já amigos, porque vêm cá todos os dias, sabem os nomes das empregadas, já brincam com elas, é como se fosse uma família”, diz a proprietária, Maria Helena, 56 anos.
“Amanhã tenho de fazer um pagamento de 7.900€, sete mil são para a segurança social. É preciso trabalhar muito, porque em Portugal a carga de impostos é muito grande”, afirma.
Qualidade acima de tudo
Apesar da carga fiscal, Maria Helena não prescinde da qualidade. “Aqui não há ovos líquidos, nem creme de pasteleiro já feito em pó. É tudo feito pelos nossos pasteleiros, à antiga”, garante.
“Temos clientes aqui desde o início da abertura da casa na Amadora.” A pastelaria, que começou em Cascais, numa loja bastante mais pequena, mudou-se há 18 anos para Vila Chã, para “ampliar e melhorar os serviços”. “Temos uma fábrica muito bem equipada, com profissionais competentes”, de onde saem diariamente os produtos.
A meio de novembro, Maria Helena já está a trabalhar no Natal. É compreensível: a casa enche, as mesas de consumo diário minguam, e as encomendas obrigam a uma gestão meticulosa e profissional.
“Os dias 24 e 25 SÃO uma loucura. Vendemos quase 2000 bolos-reis. O bolo-rei e o bolo rainha são os campeões de venda — vendemos à volta de 800 bolos-rei, mas nos últimos anos, o bolo-rei de chocolate vende-se mais, sobretudo entre a malta mais nova, que não gosta de frutos secos e cristalizados”, explica à NiA, acrescentando ainda os bolos-rei de gila e de maçã. A empresária fala em 2000 receitas de Natal, incluindo, claro, as azevias, coscorões, e fatias douradas, entre outros clássico desta época festiva.
“Nunca dissemos que vendemos 2 mil bolos-rei por dia. O que acontece é que nos dias 24 e 25 chegamos a esse valor. O Bolo Rei, com cerca de 700 por dias é ainda o campeão, “mas a malta nova está mais virada para o bolo rei de chocolate — já vendemos 500. Depois, juntemos o bolo rainha, o escagalhado, o de recheio de maçã e outras variedades”, exemplifica.
Para os detratores, que adoram ficar à espreita do que leem para encher as redes sociais de críticas, Maria Helena não esconde a sua “tristeza”, a que só consegue associar “desconhecimento, espírito de maldade e falta de respeito pelos profissionais da Pão de Mel”, sublinha.
A mais antiga da família
“Não nos deixamos afetar com isso. Esta equipa é uma família”, assegura.. Almira Guerreiro é um bom exemplo dessa família. É a colaboradora mais antiga da Pão de Mel. “Gosto muito de trabalhar aqui”, reconhece, embora a saúde lhe tenha pregado uns sustos valentes, que recomendam que vá começando a acalmar o ritmo. “Tenho sido uma grande guerreira. Tenho 64 anos, mas muitas mazelas no corpo”, diz à New in Amadora.
Orgulhosos do sucesso da filha e da pastelaria Pão de Mel estão os pais de Maria Helena Pinto, ainda vivos e ativos. A mãe tem 76 anos, o pai vai a caminho dos 90 anos, embora ninguém o diga, tal a vitalidade que revela. “É um grande orgulho e satisfação tê-los aqui a acompanharam o progresso e o crescimento da casa”, afirma a proprietária, que tem tocado o barco para a frente. Quando enviuvou, passou as quotas do marido para a filha, a gestora das redes sociais da pastelaria.
“É uma grande alegria ter os meus pais vivos e ativos e ter a minha filha como sócia”, reconhece à New in Amadora.
Carregue na galeria para ver mais imagens da pastelaria Pão de Mel, situada na Av. Canto e Castro N.10, 2700-782 Amadora, em Vila Chã.

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