Como muitos imigrantes brasileiros que chegam a Portugal, Wesley Mariano e Tainá Santos passaram por vários empregos, desde as limpezas no McDonald’s ao atendimento em call centers, até à condução de camiões. Mas após três anos de luta, conseguiram finalmente concretizar o sonho de abrir o 123 Coxinhas, uma loja de salgados na Amadora inspirada na mãe de Wesley.
“Sempre quis ser empreendedor. A minha mãe tem uma loja de salgados no Brasil e, aos nove anos, já a ajudava a preparar tudo e a vender. Por isso, decidi trazer a ideia para cá”, conta o jovem de 28 anos.
Conheceu Tainá, da mesma idade, no Brasil, quando andavam na escola. Agora, dividem a gestão do negócio. Wesley é responsável pela preparação de tudo o que vendem na loja, enquanto Thayná fica encarregue da fritura dos salgados e do atendimento ao público.
Tal como o nome sugere, as coxinhas são o grande destaque. Vendem apenas porções em miniatura, e 10 unidades custam 4€. Além disso, há bolinhas de queijo, de queijo com bacon, de queijo com fiambre e enroladinhos de salsicha. As porções mistas variam entre 3,50€ por 10 unidades e 35€ por 100 unidades.

Para sobremesa, servem bolos no pote de brigadeiro, dois amores, leite Ninho com Nutella e maracujá, por 5€. Há ainda o clássico açaí em copos de 200 mililitros (4,50€), 300 (6,90€) e 500 (8,90€).
Por enquanto, funcionam só com entregas ao domicílio, disponíveis na Bolt Food, Uber Eats e Glovo, bem como takeaway. As encomendas e pedidos maiores podem ser feitos com dois dias de antecedência, embora também consigam encaixar pedidos no próprio dia.
“A diferença dos salgadinhos está no sabor e no fato de serem apenas em miniatura. A minha mãe nunca quis baixar a qualidade dos produtos e baixar a qualidade apenas para lucrar mais e seguimos o exemplo. Compramos ingredientes da melhor qualidade para servir ao cliente. Afinal, isso faz com que ele próprio divulgue o nosso trabalho”, explica Wesley.
Desde que abriram portas, em dezembro de 2025, têm recebido muitos comentários positivos e os alunos da Escola Secundária Seomara da Costa Primo já se tornaram clientes fiéis. “As mães chegam e dizem: ‘a minha filha passou a semana a falar destes salgados, por isso tive de a trazer’”, conta Thayná.
Novas oportunidades em Portugal
O casal decidiu sair do Brasil à procura de mais segurança e qualidade de vida. Viviam no Rio de Janeiro e foram influenciados por um amigo, que já tinha emigrado.
Wesley deixou o trabalho como militar no Brasil e decidiu aventurar-se ao lado da esposa. Apesar das dificuldades em encontrar emprego, gostaram da vida em Portugal e decidiram ficar definitivamente. Foi aqui que começaram a preparar salgados à mão, depois de um dia de trabalho, para apresentar aos amigos.
“Toda aprovaram. Tínhamos medo de divulgar e não conseguirmos dar conta, pois trabalhávamos durante o dia e ficávamos até de madrugada a fazer salgados”, recorda Wesley. No ano passado, viram um anúncio na OLX de uma loja e decidiram avançar com a ideia.
“Era uma açaiteria, estava totalmente diferente. Fizemos o contrato em abril e só abrimos em dezembro. Os amigos vinham pintar e todos ajudaram para conseguirmos concretizar este sonho”, conta Thayná.
A grande inspiração por detrás dos salgados
Segundo o casal, toda esta garra e ambição vêm da mãe de Wesley, Elidiane Aparecida, mais conhecida no Brasil por “Ligeirinho”.
Wesley conta que o padrasto costumava dar 20 reais à mãe todos os dias. Em vez de gastar em despesas do dia a dia, decidiu comprar ingredientes para começar a fazer salgados, bolos e gelados para vender na rua.
“Tinha uns nove anos e decidi ajudá-la. Eu e a minha irmã começámos a conquistar clientes. Depois ela fez um carrinho de alumínio e vidro e todos os dias caminhava cerca de cinco ou seis quilómetros. No final, já tinha vendido tudo. Por isso, as pessoas passaram a chamá-la de ‘Ligeirinho’”, brinca.
Debaixo de chuva ou sol, Elidiane vendia os seus salgados pelas ruas do Rio de Janeiro. Tudo para conseguir sustentar os quatro filhos e proporcionar mais conforto à família. Acabou por concretizar o sonho de abrir a própria loja, que continua a funcionar até hoje.
“É por isso que o Wesley tem este espírito empreendedor. Cresceu com este exemplo na família. Foi a forma que ela encontrou de sustentar os filhos e, graças a isso, eles sempre tiveram tudo do bom e do melhor”, acrescenta Thayná
Agora, o objetivo é estabilizar a loja na Amadora e, no futuro, abrir outras unidades no Porto e em Leiria. Enquanto isso, Wesley continua a trabalhar como motorista da Uber para complementar o rendimento.
Na próxima semana, vão incluir novidades no menu, como cachorro-quente, churros, pastéis, salgados assados e sacolé, um gelado típico que faz lembrar a infância no Brasil.
Carregue na galeria para conhecer o 123 Coxinhas.

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