Um ano desde a inauguração, a Companhia dos Lobos continua a ser um dos segredos mais bem guardados da Amadora. Pelo menos é essa a convicção de João Escoval, proprietário do único bar especializado em vinhos do concelho.
Desde a abertura, em julho de 2025, já passaram pelo espaço clientes asiáticos, canadianos, holandeses, noruegueses, norte-americanos, franceses, ingleses, italianos e indianos. Ainda assim, como seria de esperar, a comunidade portuguesa e brasileira continua a liderar as visitas.
Apesar da boa receção, João sente que ainda há muitos amadorenses que não conhecem a casa. “A frase que mais ouço é que as pessoas não imaginavam que um sítio destes pudesse existir na Amadora. Mas a verdade é que elas merecem ter um espaço diferenciado, que não seja mais uma pastelaria ou um café”, afirma.
Para atrair novos clientes e celebrar o primeiro aniversário do espaço, João está a promover eventos especiais durante o mês de julho. Aos fins de semana, os clientes podem participar numa prova de vinhos gratuita e, caso queiram, adquirir a garrafa a um preço especial.
“Fazemos a apresentação de produtores de vinho parceiros e damos a provar gratuitamente esses vinhos selecionados. Começámos no Douro, vamos passar pelo Alentejo e também pela região do Tejo”, conta.
A iniciativa arrancou no primeiro sábado do mês e prolonga-se até ao último domingo de julho. A próxima prova acontece no sábado, dia 11, a partir das 18 horas, e no domingo, dia 12, a partir das 17 horas.
“Ficámos surpreendidos. Começámos com um vinho da sub-região da Serra da Estrela, que também é um produto que não é muito conhecido cá, mas tivemos muitas pessoas a aparecer ao longo do dia. Não estava à espera”, admite.
Vinhos e petiscos para todos
Nos restantes dias, os clientes podem aproveitar os três segmentos da loja: a garrafeira, o vinho a copo e os petiscos. Apesar de apresentar um conceito mais elegante, o wine bar “agrada a todos os gostos e carteiras”.
Há mais de uma centena de referências de vinhos na garrafeira, desde Trás-os-Montes até ao Algarve, com preços a começar nos 9€ e a ultrapassar os 90€. Já os vinhos a copo variam entre 3,5€ e 5€, consoante a referência escolhida.
“Temos uma seleção semanal de vinhos brancos, tintos e rosés que as pessoas podem beber a copo. Vai rodando todas as semanas um vinho de um produtor diferente. Os Colheita ou DOC custam 3,5€, enquanto os Reserva ficam por 5€”, explica.
O proprietário confessa que aprendeu a olhar para o vinho como uma experiência gastronómica e, por isso, não poderia deixar de oferecer petiscos para acompanhar. “Não somos um restaurante, não temos cozinha”, reforça. Ainda assim, serve entradas tradicionais para harmonizar com a bebida.
Pode pedir tábuas mistas para duas pessoas (15€) ou quatro (29€), ovos com farinheira (7€), conservas no prato (8€), presunto com melão (17€) e chouriço assado (9€). Além disso, é possível reservar o espaço para eventos e aniversários, garantindo uma oferta gastronómica mais variada.
“Compro os produtos aqui no mercado e faço desde cataplana de peixe a caldeiradas e feijoadas. Tudo o que seja comida de panela e de tacho”, explica.
Um negócio que não era para ser
O João de há cinco anos dificilmente imaginaria estar a celebrar o aniversário do seu wine bar. Apesar de ter raízes alentejanas e de ter crescido à volta de mesas regadas a bons vinhos, nunca sonhou empreender no setor vínico.
Na verdade, tudo começou de forma despretensiosa. “Ia à minha casa no Alentejo, trazia caixas de vinho que não estavam à venda cá e vendia-as aos amigos. Não fazia disso um negócio, era apenas uma situação circunstancial”, recorda.
No entanto, com a chegada da pandemia, a procura por parte dos amigos — e dos amigos dos amigos — aumentou. Foi nessa altura que João começou a ponderar investir num armazém para manter os produtos em stock.
“Sempre gostei muito da ideia das lojas de mercado e acredito que o Mercado Municipal é muito central e privilegiado. Foi um processo burocraticamente demorado. Foram três anos até concorrer ao concurso e conseguir ocupar a loja”, conta.
Um wine bar diferenciado, mas acessível
Com a ajuda de Ana, a sua companheira, refinou a ideia do armazém e decidiu abrir um espaço com um conceito mais alargado. “Não é nada sofisticado. É mesmo um espaço para as pessoas se sentirem valorizadas e para que o próprio produto também o possa ser”, diz.
Depois de algumas obras, inaugurou a Companhia dos Lobos, com mesas e cadeiras para reunir amigos e famílias, além de duas esplanadas, uma exterior e outra interior, no Mercado Municipal. Ao longo deste primeiro ano, já realizou vários eventos de prova de vinhos em parceria com a Junta de Freguesia.
“Tivemos eventos esgotados, com 30 e 40 pessoas”, conta. Normalmente, os clientes pagam um valor de entrada e têm acesso à prova de vinhos com um produtor parceiro, acompanhada por comida para harmonização.
Outra novidade desde a inauguração foi o lançamento das cervejas artesanais da casa. Em parceria com artistas da Amadora, criaram bebidas exclusivas com rótulos personalizados da Companhia dos Lobos.
“É uma colaboração com um cervejeiro de Portalegre. Cada garrafa tem um poema escrito por Nunes da Rocha. Os rótulos são da autoria do Edgar Antunes, um designer gráfico aqui do bairro, e do Pedro Inock, um artista plástico também da região”, conta.

As duas primeiras cervejas foram lançadas em outubro de 2025, enquanto a versão mais recente, já com o logótipo da marca, chegou às prateleiras em maio deste ano. Vendidas por 3,5€, pretendem valorizar a arte local da Amadora e reforçar a identidade da Companhia dos Lobos.
“Temos uma lager, mais clássica. Outra é uma cerveja ácida feita com mosto de uva de vinho branco. E a terceira é uma cerveja vínica, feita com mosto de Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet, que cria uma excelente ponte entre o vinho e a cerveja”, explica.
Para o novo ano, João quer continuar a apostar nos eventos de prova de vinhos e no desenvolvimento da linha de cervejas artesanais. Ao mesmo tempo, espera continuar a mostrar que a Amadora pode — e merece — ter espaços diferenciados e de qualidade. “Há uma série de boas coisas a acontecer aqui. As pessoas têm de começar a olhar com outros olhos para a nossa cidade”, defende.
Carregue na galeria para conhecer a Companhia dos Lobos.








