Depois de trabalhar 15 anos como educadora, Cláudia Moreira decidiu recuperar o antigo negócio do avô e relançar a Cafeteira de Ouro, em Alfornelos. A marca teve início nos anos 70, por Abílio Moreira, e foi um grande sucesso na época.
Agora, funciona apenas de forma digital, mas mantém o mesmo propósito: vender café biológico, torrado e de alta qualidade.
“Fui criada com os meus avós e, por isso, sempre tive muito contacto com a cafeteira. Era uma lojinha muito antiga, em frente ao mercado do Forno do Tijolo, com venda a granel, mas também com uma forte componente ligada ao café. O meu avô fazia a torrefação, o embalamento e a venda. Tenho muitas memórias da cafeteira e, depois de ele morrer, ficou aquele ‘bichinho’ dentro de mim”, conta Claúdia, de 39 anos.
Abílio faleceu repentinamente, em 1990, na sequência de um ataque cardíaco e essa perda assinalou o início do fim da Cafeteira. Cláudia explica que os pais não tiveram condições para gerir o espaço, que passou primeiro para sócios e, mais tarde, foi vendido, acabando por fechar.
No entanto, Cláudia nunca esqueceu a importância da marca para o avô. Mesmo tendo seguido a área da educação, sentia vontade de o homenagear e recuperar o negócio.
Depois de ter dois filhos, sentiu a necessidade de mudar de rumo. “Esta coisa de sermos bons profissionais e pais a tempo inteiro, às vezes é muito difícil. Precisava de uma alternativa que me permitisse ser mãe, mas também continuar a produzir”, afirma.
O renascimento da Cafeteira de Ouro
Foi então que começou, de facto, a investir na recuperação do negócio. Com o apoio do marido, Ricardo Ferreira, conseguiu adquirir a marca e relançar a Cafeteira de Ouro.
“Tentei durante vários anos recuperar a marca, porque tinha sido comprada por outras pessoas. Demorei algum tempo, mas em 2022 consegui trazê-la de volta para a família”, explica.
Desde então, o negócio tem vindo a crescer, e Cláudia decidiu dedicar-se a tempo inteiro à gestão da Cafeteira. Os clientes chegam sobretudo através do site, onde podem escolher entre café moído, em grão e em cápsulas, além de cappuccinos e diversos tipos de chá.

A qualidade de sempre com um toque de inovação
“O objetivo foi sempre manter o que o meu avô fazia. Ainda não foi possível voltar à loja física, mas a nível do produto, sim. Mantivemos o café biológico, torrado em fornos a lenha e com poucos aditivos. Temos um parceiro no Norte que assegura a torrefação”, refere.
Além disso, inovaram na oferta de cápsulas, incluindo opções compatíveis com sistemas Nespresso e Dolce Gusto. A empresa disponibiliza cedência gratuita de máquinas aos clientes com subscrição mensal.
“Temos desde máquinas de cápsulas até máquinas de grão ou para estabelecimentos, como de manípulo”, acrescenta. Os planos mensais começam nos 25€, com entrega gratuita através de transportadora.
Cláudia garante também maior flexibilidade face a outras empresas do setor. “Tentamos ser sempre muito compreensivos com o cliente. No verão, por exemplo, há muitas pessoas que consomem menos café em casa. Tudo é conversado”, explica.
Para Cláudia, além da história, a Cafeteira de Ouro distingue-se pela qualidade e proximidade com o cliente. “Temos uma relação próxima com quem nos compra e com os nossos preços. Tendo em conta a qualidade do café, são competitivos. E o café, não é por ser meu, mas é mesmo muito bom”, afirma.
Para o futuro, a empresária quer expandir a marca e abrir um quiosque físico, retomando a ligação direta com os clientes, como o avô fazia. Pretende também apostar cada vez mais no fornecimento a cafés, restaurantes e outros estabelecimentos.

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