Bruna Lombardi vivia sentada atrás de um computador, rodeada de números, folhas de cálculo e contratos. Hoje, passa os dias numa sala pintada de branco, com luzes relaxantes, plantas e velas aromáticas. Há cinco anos, decidiu abandonar a carreira de gestora financeira num banco para mergulhar no universo das terapias integrativas.
Apesar de não ter sido uma escolha fácil, aos 37 anos considera que foi a decisão mais acertada. Não só pela sensação de realização, como pelas conquistas que está a alcançar. No passado dia 17 de agosto, inaugurou um novo espaço de saúde, bem-estar e terapias integrativas em Alfragide. “Depois de quatro anos a trabalhar em parceria com outro espaço, decidi ter um cantinho maior. Foi quando consegui este espaço na Quinta Grande, com um ambiente tranquilo. Consigo receber as pessoas com mais conforto”, afirma.
Na nova morada, Bruna aposta em vários serviços de terapias integrativas que recorrem a abordagens que “veem o ser humano como um todo: mente, corpo e emoções”, explica. O serviço mais procurado é a reflexologia podal, uma massagem com aplicação de pressão firme e rítmica em pontos específicos. “O pé tem muitas terminações nervosas que se conectam com o cérebro e ajudam a libertar neurotransmissores e hormonas do bem-estar. É como um mapa do nosso corpo”, afirma.
As sessões duram cerca de uma hora e custam 40€. No início, Bruna gosta de conversar com os clientes, para perceber as suas queixas, e aproveita para explicar alguns pontos da reflexologia, para conduzi-los para o relaxamento.
Além disso, também garante tempo para um chá ou um cuidado extra. “Às vezes, a sessão dura um pouco mais. Não gosto de apressar, deixo a pessoa à vontade. Por vezes, querem conversar ou mesmo chorar. É um espaço seguro”, sublinha.
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Massagem facial japonesa em Alfragide
Além da reflexologia, Bruna também faz vários tipos de massagens, desde as mais simples a opções com pedras quentes e ventosas, que custam entre 45€ e 50€. Uma das mais procuradas, “que as mulheres adoram”, é a massagem facial japonesa (38€), que atua no o alívio do stress e da ansiedade, na redução de tensões musculares, promovendo uma pele mais saudável e a melhoria da circulação sanguínea.
A auriculoterapia (38€), técnica da Medicina Tradicional Chinesa que estimula pontos específicos da orelha, também faz parte da gama de serviços do espaço. “Não envolve agulhas, como a acupuntura, mas fazemos pressão em pontos específicos na orelha”, explica. Essa foi, inclusive, a primeira técnica que Bruna aprendeu quando começou a estudar terapias integrativas. “Em 2016, fiz o meu primeiro curso de auriculoterapia na Universidade da Ebramec, no Brasil, e gostei muito”, recorda.
A família já tinha raízes na área dos cuidados integrativos, mas Bruna jamais imaginou seguir o mesmo caminho. “A minha mãe trabalhou nesta área durante mais de 20 anos e tenho um tio que trabalha até hoje, mas não achava que era para mim”, admite.
Cansada do trabalho no banco, começou a perceber que estava mais interessada em cuidar dos problemas dos clientes do que, de facto, lidar com contratos. “Comecei a perceber o cansaço e o sofrimento dos clientes e vi que já não estava interessada nos números, mas na pessoa. Foi assim que despertei e decidi começar a estudar terapias integrativas”, afirma.
No início, atendia amigos e familiares em casa, até ganhar confiança e perceber que realmente queria mudar de carreira. A transição aconteceu ao mesmo tempo que a mudança para Portugal. “O meu marido já morava cá. Conheci-o na pandemia, casámos há cinco anos e vim viver com ele”, conta.
Começou a trabalhar através de parcerias em salões, até conseguir clientes suficientes para abrir o próprio espaço. “Hoje, tenho uma agenda bem maior, mas tento preservar aquela Bruna do início e tratar cada paciente como se fosse o primeiro. Digo sempre que a qualidade é melhor do que a quantidade”, reforça.
Apesar de atender clientes de ambos os sexos, Bruna está cada vez mais focada na saúde feminina. “As mulheres precisam de se cuidar. Temos mil caixinhas abertas na cabeça e temos de resolver tudo, o que leva a um esgotamento no final do dia. Por isso, estou a priorizar estes cuidados”, afirma.
Para Bruna, a maior prova de que as pessoas gostam realmente do serviço é o facto de voltarem e trazerem novas pessoas. “Hoje mesmo vou atender um irmão e uma irmã cuja mãe é minha cliente”, diz.








