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Disseram que era “doido” por largar os estudos. Hoje, tem o próprio salão de dreads

Aos 19, Kennedy Tavares decidiu trocar a escola pelos dreadlocks. Cinco anos depois, realizou o sonho de abrir o Art Locks na Amadora.

Desistir dos estudos foi um ato de rebeldia. Filho de uma professora, Kennedy Tavares enfrentou a resistência da família quando decidiu abandonar a escola. Aos 19 anos, o cabo-verdiano já tinha um sonho maior: investir nos dreads e viver da arte de transformar os cabelos. Virou as costas às críticas, apostou na profissão e, agora, acaba de abrir o seu primeiro salão na Amadora.

“Desde muito novo que tinha o sonho de abrir o meu próprio espaço em Portugal. Via que aqui, as pessoas valorizavam mais os penteados do que em Cabo Verde”, conta à NiA. Aos 25 anos, Kennedy acaba de transformar o desejo de infância em realidade.

No passado dia 15 de agosto, inaugurou o salão Art Locks, na freguesia da Venteira. Ali, dedica-se a fazer dreadlocks e tranças. O penteado, conhecido como rasta, tem raízes jamaicanas e africanas e ganhou espaço na cultura mundial, sobretudo através de artistas como Bob Marley.

“Uma manutenção começa nos 60€ e não tem preço máximo. Não há limites para os dreads. Afinal, depende muito do tamanho do cabelo, do estado em que está e de como o cliente quer que fique”, afirma.

As sessões podem durar entre quatro a sete horas ou até dois dias. “Às vezes, as pessoas pensam que é só pelo dinheiro, mas não. Esta arte é muito cansativa. Tem de haver amor para fazer este trabalho”, sublinha.

Largou os estudos para investir nos dreads

Na adolescência, Kennedy fazia os seus próprios dreads com profissionais. Mais tarde, decidiu aprender a arte de trabalhar o cabelo, já com a ideia de transformar o talento numa profissão. “Tinha rastas, mas não sabia fazer. Até que decidi aprender, desenvolvi-me rapidamente e vi que aquele era o meu caminho”, recorda.

Começou a trabalhar “a sério” na área em 2021, ainda em Cabo Verde. Nessa altura, fez várias viagens, da Índia às diferentes ilhas de Cabo Verde, e percebeu o poder do penteado. “Além disso, tinha muitos clientes de Portugal que iam até lá para fazer rastas comigo. Foi aí que realmente decidi investir na mudança”, conta.

Na época, não teve muito apoio. “As pessoas achavam que estava doido”, lembra. Mas Kennedy acreditava que poderia viver apenas das rastas e, em 2024, fez as malas e mudou-se para a Amadora.

Não sofreu muito com a adaptação. Já conhecia várias pessoas na cidade e rapidamente conseguiu trabalho num salão. Como o sonho era ter o seu próprio espaço, passou meses à procura de uma loja a que pudesse chamar sua. “De madrugada, passava horas no Idealista à procura, até que encontrei este espaço. Não estava mal, mas tive de pintar e redecorar”, conta.

 
 
 
 
 
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Além dos serviços de dreadlocks, pretende incluir outras especialidades, como cortes de cabelo, manicure e penteados, já em setembro. “Quero formar uma boa equipa. Não vou pôr qualquer pessoa a trabalhar comigo, tem de ser alguém com a mesma onda”, afirma.

De qualquer forma, já se sente realizado. “Naquela época, ninguém acreditou em mim, mas agora todos me respeitam.” E, para Kennedy, este é apenas o início. A ideia passa por expandir o conceito, ter uma loja maior, criar um espaço VIP e continuar a espalhar o amor pelos rastas.

“O cabelo é mesmo a minha vida. E o que mais me encanta é ver a pessoa na rua a sentir-se bem depois de ter vindo arranjar o cabelo. Isso já me deixa feliz”.

Carregue na galeria para conhecer o Art Locks.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. António Feijó 13A
    2700-071 Amadora
  • HORÁRIO

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