Patrícia Couto sempre viveu em casas com jardins. Nas suas memórias de infância, em Viseu, há um cenário recorrente: os piqueniques com os primos e as tardes passadas a ver a avó materna a costurar, a bordar ou a pintar quadros no seu pequeno atelier — onde a própria começou a explorar a sua criatividade.
“É das pessoas que mais amo no mundo”, confessa à NiT a jovem, de 24 anos, sobre a avó Lídia, a sua maior inspiração. “Nunca tirou uma licenciatura, mas estudou num colégio de artes. Sempre fui muito ligada às artes e passou-me essa paixão.”
Estas memórias de infância tão intensas inspiraram Patrícia a criar, no início de março deste ano, uma marca de roupa que descreve como “maximalista, colorida e expressiva”. A Maria Paloma é para todas as que gostam de misturar cores, texturas e padrões e inclui ainda peças matchy matchy para as clientes usarem com os cães. No dia 8 de abril será apresentado o site do projeto.
A ideia começou quando Patrícia teve de apresentar uma coleção para concluir a licenciatura em Design de Moda, na Universidade Lusófona, em Lisboa. Decidiu inspirar-se na nostalgia que sente quando está com a matriarca da família, “que se fartou de chorar” com esta história.
Antes de seguir esta paixão, Patrícia ainda esteve dois anos a estudar Direito, até que percebeu que o que queria realmente era um trabalho criativo. “Os meus pais eram advogados. Um dia, cheguei a casa e, sem saber como, disse-lhes que queria mudar”, continua. “Deram-me total liberdade.”
A primeira coleção da marca, chamada Le Piquenique, mostra a “infância muito feliz e colorida” de Patrícia. Foi fotografada na farm house Monte dos Alpendres, em Serpa, no Alentejo, e contou com uma parceria especial com a Paez. “Queria submeter-me a um ambiente do campo e não há nada como as paisagens alentejanas.”
Da coleção da faculdade, ficou apenas uma proposta, “o artigo mais comercial”. Patrícia destaca ainda uma das peças que foram totalmente bordadas com a ajuda da avó, mas que não podia ser vendida, tal seria a dificuldade em reproduzi-la em maior escala. Todas estas peças surgem como uma continuação desse projeto.
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“É muito leve, nada muito sumptuoso”, acrescenta a fundadora, cujo gosto pessoal é um reflexo da etiqueta que criou. “Ando sempre super colorida, com um estilo muito próprio e quis transparecer isso.”
Na Maria Paloma, vemos sobretudo peças de roupa fluidas e descontraídas, com muitos franzidos, folhos ou padrões. Há vários conjuntos, pelos quais Patrícia é obcecada, mas também vestidos largos, calças largas com riscas e vários tops cai-cai. “É mesmo aquela ideia de ‘é verão, vou para o campo com o cão atrás.”
Acrescentar propostas para vestir os animais de companhia surgiu de forma natural. “Achei que fazia todo o sentido porque é uma coisa que não é muito vista em Portugal. Sempre fui apaixonada por cães e adotei uma cadela há muito pouco tempo. Seja em bandanas ou mesmo na roupinha, podemos andar iguais a eles.”
Nesta fase inicial, Patrícia conta com o apoio de um atelier na zona de Ílhavo — onde vive atualmente —, que produz todas as peças. O espaço pertence a um homem que a recebe com o desenho final e a ficha técnica e que, no final, costura o design idealizado.
Quanto ao nome, foi igualmente espontâneo. “Acordei um dia, no verão, e pensei em como Paloma é um nome super giro. Acrescentei Maria porque é uma marca portuguesa, há muitas Marias e dá um toque muito engraçado.”
Depois do lançamento do site, o principal objetivo da criativa é participar em vários mercados e vender o máximo que conseguir. A partir de julho, começa a pensar em novas coleções, incluindo a de inverno, embora adiante que não sabe o que vai sair daí. Por enquanto, tudo o que importa é o seu piquenique.
Quanto aos preços, as peças da primeira coleção começam nos 25€. Carregue na galeria para conhecer algumas das propostas.

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