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Uma lesão afastou-o do futebol. Agora, tem 4 salões de rastas e vai abrir outro na Amadora

Aos 21 anos, Moisés Vaz teve de se reinventar. À frente da Kubico Rastafar, já tem cinco unidades e quer chegar às 500.

Moisés Vaz viu o seu sonho ser interrompido antes mesmo de começar. Aos 21 anos, sofreu uma lesão grave no joelho que o impediu de voltar aos campos de futebol e fazer o que mais gostava: jogar à bola. Para conseguir pagar a fisioterapia, começou a fazer serviços de dreads, ou seja, criação, manutenção e tratamento de rastas (dreadlocks). Em pouco tempo, percebeu que poderia investir no negócio. 

Hoje, 14 anos depois, é o responsável pelo salão Kubico Rastafari e prepara-se para inaugurar a quinta loja da marca, desta vez na Amadora. “Com a necessidade de pagar a fisioterapia e ter meios de subsistência, comecei a fazer os dreads, mas sempre com o objetivo de voltar a jogar à bola, não de fazer disso uma carreira”, recorda.

O guineense estava a viver em Madrid quando teve o “azar de sofrer a lesão”, durante um treino de preparação para a próxima temporada, em 2012. Regressou a Portugal, que se tinha tornado a sua casa desde 1998, quando fugiu da guerra civil com os pais, para descobrir que a lesão era mais grave do que imaginava.

“Disseram que tinha de operar o joelho e estar parado durante um ano, para a reabilitação”, lembra. Como já fazia dreads no próprio cabelo desde muito novo, decidiu começar a fazer noutras pessoas, para ter uma fonte de rendimento. “Quando vi o feedback dos clientes a dizer ‘está bonito, salvaste a minha vida, o meu cabelo agora está apresentável’, percebi que existia ali um negócio”, afirma.

Começou a fazer dreads em casa das pessoas, nos parques e nas ruas. Depois, deu um nome à marca e, em 2014, abriu o primeiro salão, em Queluz, no Centro Comercial Dom Pedro III. “Kubico significa uma pequena casa, na cultura angolana. Quis dar esse nome porque, no início, a ideia era sempre estar em casa, conviver, fazer os dreads aos amigos e estar em modo de trabalho, mas com leveza, como se fosse em lazer”, esclarece.

Segundo Moisés, o Kubico foi pioneiro nesta área e rapidamente conquistou uma base de clientes fiel. “Já recebia feedback de pessoas no estrangeiro a solicitarem os nossos serviços, então comecei a fazer tournées. Ia uma semana a Paris, depois saltava para outros países, como Suíça e Luxemburgo”, conta.

Em 2019, abriu a segunda unidade, no Porto. Depois, vieram outras lojas no Luxemburgo e na Guiné-Bissau e, agora, na Amadora. “Todas as afiliadas trabalham em modo de franchising. São eles que fazem a gestão do próprio negócio e têm a marca cedida, apesar de apoiar no que for necessário”, explica.

Inauguração do quinto salão na Amadora

Na Amadora, Piter Faray, de 29 anos, será o sócio responsável por gerir o salão. “Trabalhava como colaborador na loja de Queluz e, agora, conseguiu este upgrade”, conta. A escolha da Amadora passa por questões estratégicas, como a localização e a acessibilidade.

A inauguração decorreu a 23 de agosto, mas os clientes podem começar a agendar os serviços a partir do dia 1 de setembro. “Na loja da Amadora vão ser apenas prestados serviços de dreadlocks. Noutras unidades temos barbearia, tranças e unhas, por exemplo.”

Entre os serviços, oferecem manutenção, criação, lavagem e pintura. Sobre os preços, Moisés afirma que “há um pouco de tudo”. Os valores podem ir dos 20€ aos 500€, “dependendo do que o cliente vai fazer”. Os serviços mais caros costumam variar entre a extensão de dreadlocs e os microlocs, miniaturas do penteado criadas no cabelo natural. 

Desde que começou a transformar as rastas numa carreira, Moisés percebeu o poder transformador do penteado. “Muitas mulheres, principalmente as africanas, mudam muito de visual, ora estão de tranças, ora colocam extensões ou usam peruca. Estão a tentar enquadrar-se numa sociedade que te diz que tens de te apresentar assim. Com o penteado e os dreads, muitas acabam por encontrar a sua persona”, afirma. A ideia é “focar muito no bem-estar do cliente e deixar o trabalho falar por si”.

 
 
 
 
 
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Muito além de um penteado

Além da transformação na autoestima e na identidade proporcionada pelos dreads, Moisés percebe como a marca mudou a vida de muitas pessoas, “a começar pela minha. O meu sonho era ser jogador de futebol, mas quando olho para a vida que tenho, prefiro onde estou porque sinto que consigo ser eu mesmo”, afirma. Através das novas unidades, percebe o mesmo movimento de ascensão a acontecer com outros amigos e companheiros.

“As coisas podem ser mais difíceis para a comunidade africana. Então, percebi que o Kubico é uma forma de fazer os meus conterrâneos sonhar mais alto”, diz. Apesar de já não usar dreads, o guineense leva o rastafari no coração. Durante 15 anos, teve o penteado — que já lhe chegava aos joelhos —, mas, há um ano, decidiu que estava na altura de fazer uma mudança radical. “Fiquei com receio no início, mas estava a atrapalhar as minhas atividades, pesava muito. E também foi uma forma de demonstrar que agora estou mais na gestão do negócio, preocupado em fazê-lo crescer”, afirma.

Acostumado a sonhar grande, Moisés tem muitos planos para o futuro da Kubico Rastafari. Em dez anos, quer conseguir expandir para outros continentes e alcançar a marca das 500 unidades, espalhadas pela América, Europa, África e Ásia. Afinal, “se for para sonhar, é sonhar alto; se for para crescer, é crescer ao máximo”.

Carregue na galeria para conhecer o Kubico Rastafari.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua vice almirante coutinho 17
    2700-345 Amadora
  • HORÁRIO
  • Terça a sábado, das 10h às 19h. Encerra aos domingos e segundas.

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