E já lá vão 25 anos a produzir teatro profissional, a intervir, a resistir e a trabalhar para um mundo melhor. Vinte e cinco anos de Teatro dos Aloés, uma companhia que se instalou na Amadora e de lá não sai, convicta de que “é preciso continuar a fazer teatro para públicos que não estão necessariamente muito habituados a consumir espetáculos”. Num ano em que o grupo estará “sempre em clima de festa e celebração”, dois dos diretores – José Peixoto e Elsa Valentim (que partilham a responsabilidade com Jorge Silva) – revelam que ao fim de um quarto de século, “o melhor de tudo é ver o carinho que o público dedica ao projeto”.
“As crianças de outrora têm novas temáticas”
“Emociona-me, ver que crianças que viam os nossos espetáculos agora são jovens que veem os nossos espetáculos, que as pessoas de meia-idade que nos seguiam sejam agora os nossos espectadores mais velhinhos”, partilha Elsa Valentim. “E abordam-nos muito na rua”, acrescenta José Peixoto. “Nada me dá mais prazer do que ser questionado sobre a nossa próxima estreia no meio da rua ou quando entro num café.”
A companhia profissional, que tem rostos bem conhecidos dos portugueses, lança a sua 71.ª produção, no dia 19 de novembro, a peça “Perceções”, no âmbito do Projeto Solidariedade e Arte, nos Recreios da Amadora.
Trata-se de uma peça de “reflexão sobre nós e o outro, a nossa identidade, os movimentos migratórios, o discurso de ódio sobreposto a valores como a solidariedade e empatia”.
“O mundo está a mudar a uma velocidade vertiginosa e, portanto, temos de saber aproveitar 0 material que nos aparece, que é tudo menos ficção”, conta à New in Amadora um dos elementos da equipa de direção do Aloés. Este espetáculo é parte integrante de SoliCultEu, um projeto transnacional financiado pelo programa europeu CERV – Citizens, Equality, Rights and Values e estará em cena até segunda, 24 de novembro.
“Imigração e tolerância”
De acordo com o grupo, “Perceções é uma criação work in progress. Parte de um questionamento sobre temas quentes da atualidade, como a imigração, a intolerância, o papel das redes sociais na disseminação do ódio”, lê-se na sinopse do espetáculo, que acrescenta ainda que a produção “reflete sobre o papel da Arte e da solidariedade na construção de um mundo mais equitativo e justo”.
É tempo de questionar tudo. “Regressámos à visão maniqueísta do mundo. A velha luta entre o Bem e o Mal reanima-se, as fações reorganizam os seus exércitos e o espaço virtual oferece um terreno fértil de propagação rápida. Que caminho nos trouxe até aqui?”

“Aqui onde, questiona o Teatro dos Aloés? “Um espaço físico ou o feed incessante de desinformação? O discurso de ódio incendeia as redes alimentado pela ascensão de partidos populistas com as suas velhas fórmulas de divisão e segregação. A intolerância ganha força, aparenta ter mais capacidade de incendiar os nossos corações do que a tolerância, a solidariedade e a partilha. A democracia enfrenta o seu maior teste: terá capacidade de resposta neste novo mundo em que o que nos separa se sobrepõe ao que nos une?”
O espetáculo é destinado a maiores de 12 anos e os bilhetes custam 10€. Estão disponíveis online e na bilheteira dos Recreios da Amadora, no próprio dia, duas horas antes do início do espetáculo.
As sessões decorrem de 19 a 24 de novembro, com exibição de segunda a sábado, às 21 horas, e ao domingo, às 15 horas.

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