Provavelmente nunca imaginou Paul Atreides a tocar harmónica e guitarra, mas foi exatamente isso que aconteceu em 2022, enquanto Timothée Chalamet gravava “Dune: Parte Dois”. Durante as pausas nas filmagens, não descansava e preparava-se para interpretar Bob Dylan em “A Complete Unknown”. “Era comum ouvir o Timmy a cantar a ‘Positively 4th Street’ e não só quando estávamos em Budapeste”, contou o ator Stephen McKinley Henderson ao “The Washington Post”.
Chalamet passou cerca de cinco anos a treinar guitarra, harmónica e voz com professores, em aulas presenciais e por videochamada, uma mudança que surgiu com o início da pandemia da Covid-19. A preparação exigente valeu-lhe a segunda nomeação ao Óscar, na categoria de Melhor Ator Principal. O filme tornou-se também um dos mais elogiados a chegar a Portugal em 2025 e um dos melhores que vimos neste último ano.
A narrativa começa em Nova Iorque, em 1961, num período marcado pela efervescência musical e cultural da cidade. É neste contexto que surge um enigmático jovem de 19 anos, recém-chegado com a sua guitarra e um talento que promete mudar o rumo da música.
Ao longo da ascensão meteórica, Bob Dylan cria ligações próximas com figuras centrais da cena musical de Greenwich Village, culminando numa atuação inovadora e controversa que ecoa muito para além daquele círculo.
Além da nomeação de Chalamet, “A Complete Unknown” arrecadou mais sete indicações aos Óscares: Melhor Som, Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Atriz Secundária, Melhor Ator Secundário, Melhor Argumento e Melhor Figurinos, reforçando o estatuto do ator como um dos nomes mais consistentes da sua geração.
Enquanto Chalamet levou o público a cantar, Fernanda Torres deixou as salas em silêncio com a sua interpretação em “Ainda Estou Aqui”. A atriz foi nomeada ao Óscar de Melhor Atriz Principal e o filme, realizado por Walter Salles, entrou para a história ao tornar-se a primeira produção brasileira a vencer o prémio de Melhor Filme Internacional.
A história acompanha Eunice, mãe de cinco filhos, que após o desaparecimento do marido em janeiro de 1971 enfrenta o regime autoritário e luta por respostas sobre o seu paradeiro. O papel valeu ainda a Fernanda Torres o Globo de Ouro de Melhor Atriz Num Filme de Drama.
Já em dezembro, outro título conquistou a crítica internacional. “Nouvelle Vague”, de Richard Linklater — realizador de “Blue Moon” e “Acordar Para a Vida” —, revisita um dos momentos mais determinantes da história do cinema.
O filme acompanha os bastidores da rodagem de “O Acossado” (1960), de Jean-Luc Godard, uma das obras fundadoras da nouvelle vague francesa. Guillaume Marbeck interpreta Godard, Zoey Deutch dá vida a Jean Seberg e Aubry Dullin assume o papel de Jean-Paul Belmondo.
A narrativa mergulha no caos criativo, na improvisação constante e na rutura com as regras tradicionais que definiram o movimento nascido na “Cahiers du Cinéma”. O argumento original é de Holly Gent e Vincent Palmo, com adaptação e diálogos de Michèle Halberstadt e Laetitia Masson. Estreou no Festival de Cannes e recebeu uma nomeação para Melhor Filme de Comédia ou Musical nos Globos de Ouro.
Mas prémios e histórias de bastidores à parte, chegou o momento do ano em que elegemos os melhores filmes que vimos nos últimos 12 meses. Uma lista que contém, naturalmente, todos os filmes que estrearam em Portugal (nas salas ou no streaming) em 2025.
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