“Uma família oriunda de Cuba emigra para Tampa, cidade situada na costa ocidental dos Estados Unidos em 1929, ano da Grande Depressão. Monta uma fábrica de charutos e decide contratar um leitor que tem como função entreter e educar os trabalhadores na sua árdua e monótona tarefa. Das suas leituras fazem parte notícias, curiosidades, poesia, mas sobretudo os grandes romances da literatura mundial. O nosso leitor propõe ‘Anna Karenina’, de Leon Tolstoi. A ficção e as personagens do romance misturam-se, num jogo de amor e ciúme, com a vida real daquela família”.
É este o ponto de partida de “Ana nos Trópicos”, a peça de Nilo Cruz, encenada por Jorge Silva, que o Teatro de Aloés leva a palco, numa curta aparição, nos Recreios da Amadora, até segunda-feira, 24 de março, sempre às 21 horas, à exceção da sessão de domingo, 23, que se será às 16 horas.
A peça de teatro, “uma apaixonante história de amor e ciúme”, conta com um elenco cheio de caras bem conhecidas dos portugueses. Além de a tradução do texto ser da autoria do ator Rui Mendes — esse mesmo, o de “Duarte & Companhia” — o elenco apresenta nomes como Elsa Valentim, André Nunes, João Saboga, Graciano Amorim, entre outros.

Os bilhetes podem ser adquiridos na Ticketline ou na bilheteira do teatro, antes do início do espetáculo — e têm um custo de 10 € para o público em geral, 5 € para maiores de 65, menores de 25 e estudantes.
Mais amor, menos ciúme, mais pontes
Fundado oficialmente em 2001 na Amadora por um conjunto de atores profissionais, o Teatro Aloés acredita que a cultura pode ser a massa que une os povos.
“Acho que a cultura pode ser um veículo privilegiado de conseguir a solidariedade, de conseguir sociedades mais justas, porque a cultura, nomeadamente o teatro, é um espelho nosso. E nós, ao vermo-nos ao espelho, conseguimos eventualmente corrigir as nossas falhas, ter a utopia de um mundo melhor e de poder construir uma coisa mais digna para o ser humano”, afirmou recentemente à New in Amadora Elsa Valentim, que integra a direção do Teatro de Aloés.
A atriz profissional, que os portugueses bem conhecem da sua participação em séries e novelas portuguesas — “Anjo Selvagem”, “Doce Fugitiva” (TVI), “Golpe de Sorte”, “Sangue Oculto” (SIC) ou “Cuba Libre” ou “Crónica dos Bons Malandros” (RTP) — além do trabalho profícuo feito no cinema e no teatro, considera que a Amadora, “sendo um território multicultural, tem imensas potencialidades”. “Mas só se trabalharmos na multiculturalidade”, adverte.
Elsa Valentim acrescenta: “O que acontece, e isso é o grande problema, é o cada um por si. A Amadora é uma sociedade tolerante, mas cada um vive nos seus sítios. Está na hora de nos juntarmos”.
Até segunda-feira, a peça “Ana nos Trópicos”, nos Recreios da Amadora, é um excelente pretexto para essa reunião.
Carregue na galeria para ver algumas fotos da cena.

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