fit
ROCKWATTLET'S ROCK

Aos 81 anos, Armanda foi cinturão azul no judo e ainda faz o pino no ginásio

É o orgulho da PT Clinic, onde treina há mais de 40 anos. A meta é simples: chegar aos 100 em boa forma.

Armanda Lopes impressiona quem tem a sorte de se cruzar com ela. Aos 81 anos, frequenta o ginásio todos os dias e dá um verdadeiro espetáculo quando decide fazer o pino. De cabeça para baixo, solta o seu grito de “força” e deixa os mais jovens impressionados com tamanha flexibilidade e vigor. “Com a idade que tenho, pergunto-me: ‘como é que consigo fazer isto?’”, admite.

A viver há 40 anos em Alfornelos, tem uma rotina de treinos bem definida. Todos os dias, às 15 horas, chega à PT Clinic, o ginásio localizado no centro comercial Colina do Sol, onde faz a sua rotina de exercícios. “Faço o que me apetecer, sou professora de mim própria. Às vezes faço passadeira, algumas máquinas e o pino”, conta.

Inscrita no mesmo ginásio há 22 anos, é uma figura conhecida e muito querida. António Falcão, proprietário do espaço, diz que Armanda é um orgulho para a PT Clinic. A sua energia já atraiu novos alunos para o ginásio, que se inspiram nela e ambicionam alcançar a mesma forma física.

Armanda a fazer o pino
Armanda a fazer o pino

Ainda assim, Armanda garante que toma todos os cuidados necessários. Apesar de gostar muito de fazer estar na posição invertida, conta sempre com o apoio da equipa de professores para garantir segurança e evitar lesões.

“Pode dar algum mau jeito, porque aquilo é muito difícil. Temos de pôr os braços para trás e depois lançar o corpo para cima. Por isso, quando o faço, tenho sempre apoio”, conta.

Mais de 40 anos de treino

Foi há 20 anos que fez o pino pela primeira vez, quando frequentava aulas de grupo. Mas a sua ligação à atividade física começou há mais de 40 anos. “O meu filho tinha nove e treinava no Benfica. Devido a um problema de coluna, teve de fazer fisioterapia. Fui com ele e, a partir daí, entusiasmei-me”, recorda.

Já experimentou tantas modalidades que tem dificuldade em enumerá-las. “Já fiz jazz, judo, Pilates e aulas de step”. Independentemente da modalidade, destacava-se sempre. Quando o professor de jazz faltava, era ela quem conduzia a aula. Já no judo, era uma das poucas mulheres e todos queriam fazer par consigo. “Cheguei ao cinturão azul. Primeiro conquistei o amarelo, depois o laranja, o verde e o azul. A seguir era o castanho, mas o grupo acabou”, conta.

Com o fim do judo, mudou-se para o ginásio que frequenta até hoje. Começou nas aulas de grupo e depois passou a treinar sozinha. “Deixei porque aconteciam muito tarde. Como estou em casa, optei por vir à hora que quero”, explica.

Além do ginásio, Armanda cuida da casa e da decoração. De manhã, dedica-se à cozinha. O cabrito é o seu prato de eleição, presença obrigatória nas festas de Natal e da Páscoa. Também faz doces e um pudim que o filho adora. Mas quem a vê ativa e espontânea, com roupas coloridas, não imagina quantas histórias carrega. Apesar de impressionar pela força física, a força interior é ainda maior.

Armanda é ativa desde jovem
Armanda é ativa desde jovem

A força que ninguém vê

Nascida em Angeja, perto de Aveiro, trabalhou e brincou muito na infância. “Fartei-me de sachar milho, apanhar batatas e azeitonas. Subia às árvores todas até ao topo. Queria apanhar os figos lá na ponta e partia os ramos. À conta disso ganhei algumas cicatrizes. Era mesmo uma cabrita”, recorda.

Aos 22 anos, veio para Lisboa. A ideia era mudar-se para perto do irmão e do tio, em Lourenço Marques, e casar com um homem que vivia em África. No entanto, acabou por conhecer aquele que viria a ser o seu marido e decidiu ficar.

Três anos depois, engravidou do seu primeiro e único filho e casou-se. Recém mãe e recém-casada, a vida se tornou mais difícil, mas continuou a viver com garra.

“Fui cabeleireira, depois trabalhei numa fábrica da Palmolive, vendi gelados no Monte Estoril, junto à praia, e mais tarde tornei-me costureira. Fazia roupa para o meu filho. Naquele tempo, a vida era muito difícil”, conta.

E assim, Armanda continua até hoje, com uma resiliência admirável. Agora, foca-se na rotina e em mimar os dois netos, que adoram a comida da avó.

Para o futuro, quer manter-se ativa e continuar a treinar. “Não tenho nenhuma lesão. Para já, vou andando. Quero continuar até aos 100 anos”, conclui.

Carregue na galeria para ver algumas das atividades que Armanda já praticou.

ARTIGOS RECOMENDADOS