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Dos 5 aos 55: o estúdio de dança na Amadora onde todas as alunas se tornam amigas

O projeto Swagga Dem arrancou em 2017, mas Cláudia Oliveira reúne bailarinas de todas as idades desde 2010. Há vários packs.

A paixão pela dança despertou em Cláudia Oliveira quando tinha 11 anos. Enquanto crescia, frequentou workshops, formações e convenções, e foi aprendendo cada vez mais sobre a arte de movimentar o corpo. Ainda com 16 anos, foi convidada a dar aulas de desporto na Escola Fernando Namora, na Brandoa, onde estudava. Hoje, tem um espaço próprio onde ensina alunos de várias idades, incluindo as mães de alunos seus que quiseram também começar a aprender. 

Para percebermos o percurso de Cláudia, temos de recuar a 2010, quando criou o grupo Swagga Dem — que entretanto cresceu e se tornou num estúdio de dança focado no género dancehall. O estilo tradicional da Jamaica, surgiu nos anos 70, com origem no reggae. A decisão foi tomada depois de participar num curso de Ragga Jam/Dancehall com a bailarina francesa Laure Courtellemont. Foi o incentivo que Cláudia precisava para se dedicar a 100 por cento a esta modalidade.

Ainda como aluna, enquanto estava a preparar um espetáculo de final de ano, não conseguia ensaiar na escola porque era “época de exames”, explica a amadorense, de 30 anos. O grupo não desistiu de encontrar sítio, nem parou de ensaiar. A rua passou a ser um dos locais onde se reuniam para treinar os passos e, assim, conseguiram realizar o evento, no Teatro Turim, em Benfica.

Quando completou 18 anos, Cláudia começou a procurar formação fora de Portugal. Aos 21, acabou mesmo por ir à Jamaica “ter contacto direto com a cultura”, como explica à New in Amadora. Apaixonava-se cada vez mais por este estilo de dança e estava convencida de que era este o caminho a seguir.

“Ir à Jamaica nessa altura foi muito emotivo porque tive contacto direto com a cultura que eu estudava há anos, ali à minha frente. Foi uma confirmação que o que fazia em Portugal nessa altura estava no bom caminho e que ainda havia muito para aprender. Uma coisa é ouvir sobre o que acontece lá, outra coisa foi vivê-la e voltar carregada, para transportar aos meus alunos esse conhecimento”, diz.

Continuou sempre a dar aulas de dança, em diferentes espaços, desde escolas, ginásios, associações, e com alguns alunos cativos. O objetivo era juntar “todos anualmente” e, assim, criar o espetáculo “Everybody Dance(hall)”, onde “todos podiam mostrar a aprendizagem deste estilo de dança”. Enquanto ensinava, Cláudia quis continuar a aprender, e frequentou vários cursos e workshops ao longo dos anos.

A bailarina sabia que todos os seus alunos tinham em comum o amor pela dança, assim como a distância. Faziam o mesmo, mas não se conheciam — daí surgir o “Everybody Dance(hall)”, que, mesmo assim, não era suficiente. Nas aulas reparava nos alunos aplicados e chegou a levá-los a espetáculos, dance battles e também a programas de televisão.

Sabia que tinha “um nicho com potencial para fazer mais qualquer coisa e muito focado naquele estilo de dança”. Em 2013, falou com uma associação na Falagueira, para saber se havia disponibilidade em arrendar o espaço durante umas horas, e assim foi. Arrancou com algumas aulas e poucos alunos, números que foram aumentados progressivamente. Por vários motivos, os locais onde Cláudia dava aulas foram-se alterando, mas quando a professora saia, os alunos queriam continuar a aprender com ela.

Em 2017, decidiu arriscar. “Comecei a dar aulas apenas num local, onde passei de apenas professora/coreógrafa a tratar de tudo sozinha como diretora e responsável por todos os detalhes”, revela. As turmas estavam “bem compostas”, com discípulos que a acompanhavam desde o início, em 2010, e outros que foram chegando — incluído as mães.  

DR: Isis Gonçalves Photography

Todos a mexer

“Lembro-me que foram três mães, que já acompanhava os filhos que eram meus alunos há muitos anos: a Marisa, a Sónia e a Dina. Pediram-me para dar aulas às mães. Respondo que se arranjassem no mínimo cinco mães, conseguia abrir uma turma. E foi assim que começou”, conta à NiA. Em sete anos, o grupo cresceu e são agora 20 mulheres que se reúnem todas as semanas para dançar.

Também fazem parte dos espetáculos e são “super motivadas”, até porque o objetivo inicial de “diversão”, entretanto, mudou. “Começaram a perceber que as mulheres adultas nem sempre têm tempo para elas, sem desempenhar o papel de mãe ou esposa. Aqui, aumentam a autoestima e criam ligações emocionais”, explica.

Uma das suas alunas adultas mais antigas, que começou há cerca de sete anos, reconhece o “progresso” que fez depois de começar esta aventura. “Disse que antes se sentia esquecida enquanto mulher, não sabia quem era, vivia só para a casa, marido, trabalho. Conhecendo-a antes e depois, o brilho é tão visível. É importante ver a felicidade escondida voltar”, revela Claúdia.

A verdade é que este grupo de bailarinas também criou laços de amizade. “Vamos jantar fora, sair à noite. Voltámos à adolescência. Algumas voltaram a achar a vida divertida”. Outro dos feedbacks mais ouvido é a melhoria da imagem corporal. Muitas mulheres diziam que “nunca iam vestir um top ou uma saia com pernas à mostra” e, agora, com a dança e o movimento, ficaram com “a autoestima renovada e o amor próprio”. Colocaram “as inseguranças de lado”. Antes “preferiam dançar sem espelhos porque não se queriam ver” e, agora, fazem-no sem qualquer problema e pudor.

À New in Amadora, Cláudia revela: “Elas fazem tudo. Até sobem, com 50 anos, a um palco pela primeira vez em frente a um público de 300 pessoas. J organizaram um retiro onde estivemos todas, longe de tudo. É uma experiência muito boa. E são pessoas que têm outras profissões e tiram um tempo para elas. Eu digo sempre que a dança é o que nos move, mas o que está à volta é o mais importante”.

“A Swagga Dem tem 14 anos. Tenho comigo alunos que começaram ainda em miúdos e que agora são jovens adultos. É uma experiência que dá ferramentas para seguirem uma carreira de bailarinos ou de professores de dança. O foco é mesmo o dancehall, e, claro, o bem-estar físico e mental para todos. A nossa aluna mais nova tem cinco anos e, a mais velha, 55”, acrescenta a bailarina. 

Se quiser começar a participar nas aulas, pode ainda inscrever-se para o ano letivo 2024-2025. Há cinco turmas de diferentes faixas etárias, com aulas de duas horas por semana. Decorrem às 18h30, às 19h40, às 20 horas ou às 20h45, dependendo da turma. Uma aula avulsa custa 10€, enquanto o pack de quatro aulas tem o valor de 30€ e de mais de quatro, 37,50€.

Carregue na galeria para ver alguns momentos do grupo Swagga Dem. 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Praceta da Quinta do Bosque
    2700-315 Amadora
  • HORÁRIO
  • Por marcação

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