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Duas lesões mudaram-lhe a vida. Hoje, ajuda outras pessoas através de uma arte milenar

Aos 42 anos, Ricardo Telo dedica-se à promoção da saúde através de uma prática acessível a todas as pessoas e à hipnose clínica.

Resiliente. Talvez seja esta a palavra que melhor define Ricardo Telo. Natural da Serra da Estrela, viu o seu corpo obrigá-lo a interromper os sonhos profissionais por duas vezes. Primeiro, aos 21 anos, quando sofreu uma grave fratura na perna e teve de desistir da carreira no desporto. Depois, aos 31, quando foi submetido a uma cirurgia à coluna e deixou de poder exercer a profissão de engenheiro agrónomo, área em que se tinha formado. Em ambos os momentos, encontrou uma forma de recomeçar.

Desde os quatro anos que praticava ginástica acrobática e estava convicto de que faria carreira no mundo do desporto. “Dois meses antes de fazer as provas de acesso, sofri uma lesão muito grave e fiquei praticamente com uma fratura exposta”, recorda.

Na altura, ponderou seguir Medicina Tradicional Chinesa ou outras áreas da saúde, como Fisioterapia ou Enfermagem, mas acabou por optar pela Agronomia. “Gostei do curso e trabalhei durante sete anos na área. Foi importante adquirir novos conhecimentos, sair um pouco do meu meio e crescer enquanto pessoa.”

Em 2015, o corpo voltou a impor-lhe uma mudança de rumo. Foi diagnosticado com um problema na coluna e teve de ser submetido a uma intervenção cirúrgica. “O meu trabalho era muito exigente do ponto de vista físico e tive de rescindir o contrato com a empresa.”

Um novo propósito na área da saúde

Mais uma vez, decidiu reinventar-se. Lançou um projeto de jardins verticais, estudou Turismo e Património e aventurou-se no enoturismo, mas nenhuma dessas experiências lhe trouxe a realização que procurava.

Foi quando recuperou o interesse pela saúde e pelo desporto que encontrou um novo propósito. “Fiz formação em coaching, uma pós-graduação em Neurociência do Comportamento, Hipnose Clínica e Psicologia do Alto Rendimento Desportivo”, conta.

Pouco tempo depois, começou a dar consultas em clínicas de Lisboa, Nazaré, Viseu e Gouveia. Entretanto, especializou-se nas áreas do trauma, vícios e comportamentos e, em 2023, decidiu aprofundar os conhecimentos em Chi Kung. “Tinha colegas ligados à Medicina Tradicional Chinesa que já me tinham falado desta prática, mas desconhecia o que era.”

Trata-se de uma arte milenar chinesa que combina movimento, respiração e meditação. É frequentemente confundido com o Tai Chi Chuan, mas, segundo Ricardo, existem diferenças importantes. “O Chi Kung trabalha mais o foco interno. Os movimentos são mais estáticos e existe um grande trabalho respiratório.”

Segundo o terapeuta, os principais benefícios passam pela redução dos sintomas de ansiedade, melhoria da consciência corporal e promoção do equilíbrio físico e mental. Além disso, trata-se de uma prática acessível a praticamente todas as pessoas.

“O Chi Kung adapta-se a qualquer condição física. Tanto pode ser praticado em pé, como sentado.” Durante as sessões, trabalham-se diferentes zonas do corpo, desde as articulações das mãos ao pescoço, cintura e pernas, com o objetivo de melhorar a mobilidade e proporcionar uma sensação de tranquilidade e relaxamento.

Aposta em aulas de Chi Kung Terapêutico na Damaia

Recentemente, Ricardo abriu novas turmas de Chi Kung Terapêutico no Parque Neudel, na Damaia. As sessões realizam-se às quartas-feiras, às 9 horas e às 19 horas. “O início da manhã é excelente para estimular o fluxo de energia, enquanto o final do dia favorece uma prática mais orientada para o relaxamento.”

A primeira aula é gratuita. As seguintes custam 12€ por sessão ou 40€ por mês, para quem optar pela mensalidade. As inscrições podem ser feitas através das suas redes sociais.

Além dos efeitos imediatos de relaxamento e concentração, Ricardo acredita que a prática pode trazer benefícios a longo prazo. “Estudos da Universidade de Harvard mostram que uma postura mais fechada, com os ombros projetados para a frente, está associada a um maior risco de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.”

Segundo explica, esses estudos deram origem a protocolos preventivos baseados na atividade física. “O Chi Kung surge em primeiro lugar, seguido do Tai Chi, Pilates e ioga.”

Ainda assim, faz questão de sublinhar que não existe uma modalidade superior às restantes. “Não há uma prática melhor do que outra. Existe, sim, aquela com que cada pessoa mais se identifica.”

Foi precisamente a relação entre Chi Kung, neurociências e postura que serviu de base ao trabalho final do seu curso na Escola de Medicina Oriental e Terapêuticas. Mais tarde, esse estudo deu origem ao e-book Chi Kung Neuroenergético, disponível na plataforma Hotmart.

Hoje, aos 42 anos, Ricardo considera que encontrou finalmente um percurso alinhado com o seu propósito. Além das aulas no Parque Neudel, realiza consultas de Hipnose Clínica, Coaching, Programação Neurolinguística e Biomagnetismo.

Carregue galeria para conhecer algumas das aulas de Ricardo.

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