Verdade seja dita: nem todos gostam de passar horas no ginásio levantar pesos e a treinar nas máquinas. No entanto, a atividade física é necessária para uma vida saudável. É nesse contexto que cada vez mais modalidades ganham popularidade. Ana Sofia Ferreira, de 33 anos, é a prova disso. Instrutora de Zumba há sete anos, dá aulas na Amadora e já tem um grupo com mais de 150 alunos.
“Diria que é uma das modalidades mais motivantes, que faz com que as pessoas permaneçam bastante tempo. O ginásio desmotiva, tal como fazer exercício físico em casa. No caso da Zumba, a música ajuda a distrair torna as pessoas mais bem-dispostas”, explica à NiA.
A professora dá aulas às segundas e quartas-feiras, das 20 às 21 horas, nos Bombeiros da Amadora. Não é necessário fazer inscrição, nem ficar refém de uma mensalidade. É só chegar, pagar 3,50€ antes do início da aula e mexer o corpo.
Mesmo sem fidelizar os alunos, Sofia tem turmas numerosas todas as semanas, entre 45 a 50 pessoas por aula, e acredita que tal se deve à sua energia e boa disposição.
“Sou uma pessoa muito enérgica e bem-disposta. O meu carisma e a minha forma de conduzir a aula, mais do que o talento para a dança em si, são o que fazem a diferença. Acredito que passo a paixão que tenho pela Zumba e, então, é impossível alguém estar a olhar para mim e não sorrir”, conta.
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Por dentro das aulas de zumba
A instrutora divide a aula em três momentos: aquecimento, faixas com vários estilos de música e, no final, um alongamento. A ideia é que existam os quatro principais géneros musicais da modalidade: salsa, merengue, cumbia e reggaeton.
“É uma aula bastante intensa, porque quero que as pessoas sintam que a Zumba faz perder calorias. Quero que estejam focadas na música e não distraídas a pensar noutro problema das suas vidas. E o meu diferencial é que nenhuma aula é igual à outra”, assume.
E é precisamente isso que faz com que a maioria dos alunos volte. Mais do que ser um espaço para fazer exercício, é um lugar onde os alunos conseguem desligar do stress e deixar a música falar mais alto.
“Até para mim, às vezes, é terapêutico. É um momento para distrair, deixar de pensar por momentos no quotidiano, nos problemas, nas tarefas domésticas, além do convívio. Tenho um grupo tão grande que eles começam a conhecer-se e a fazer amizades”, revela.
Contabilista de dia, professora à noite
Mas quem vê Sofia em cima do palco, a mobilizar dezenas de pessoas com energia e animação, não imagina que passa o dia sentada a uma secretária.
Apesar de ter licenciatura e mestrado em Desporto pela Universidade Lusófona, a jovem trabalha há dez anos no escritório de contabilidade do pai. É depois de completar o turno das 9 às 18 horas que se transforma na ‘Sofia, da Zumba’.
“Durante a faculdade, achava que iria ser professora, mas não gostei do estágio. Foi difícil criar ligação com os alunos. Entretanto, surgiu a oportunidade de trabalhar na empresa do meu pai. É mais estável, permite ter um contrato de trabalho, comprar casa, crescer e, às vezes, é isso que nos mantém”, explica.
No entanto, é categórica ao dizer que onde se realiza verdadeiramente é na área da atividade física. Descobriu a Zumba através de uma amiga da faculdade e começou a fazer aulas com Rafa Marvel, outro professor na Amadora, que a levou a encantar-se modalidade. A partir daí, decidiu especializar-se e incluir as aulas de Zumba como um “extra” que mantivesse viva a sua paixão pelo desporto.
Do futebol à Zumba
“Estou a crescer muito rápido no mundo da Zumba. Não estava à espera, mas há sempre forma de crescer ainda mais. Quero partilhar a minha dança a nível internacional e, um dia, ter o meu próprio espaço para dar aulas a tempo inteiro”, revela.
Sofia sempre fez desporto desde miúda, do ballet à natação e futebol. Chegou, inclusive, a ser atleta de alta competição de futsal feminino, mas teve de parar há três anos devido a uma lesão.
“Tive uma rotura de um ligamento cruzado do joelho. Criou instabilidade e, na altura, tive de parar para ser operada. Na recuperação, notei que o joelho já não era o mesmo. Decidi focar-me apenas na Zumba e, agora, o meu joelho está bem. Não tenho qualquer problema”, explica.
Muito mais do que uma aula
“Tenho alunas com fibromialgia, que não conseguem levantar-se e fazem um esforço para estar ali porque depois vão melhorar. Ou alunos sem uma parte do pulmão, outros a tomar antidepressivos. Aquilo não é ‘só’ uma aula de Zumba. Assistir ao que faz na vida das pessoas é o que me motiva a continuar”, partilha.
Além das aulas tradicionais nos Bombeiros da Amadora, Sofia também organiza sessões especiais com professores convidados no final do mês. Por vezes, propõe desafios à turma, como dançar de olhos vendados e tentar lembrar os movimentos.
A instrutora participa ainda em eventos pontuais. Em maio realiza-se o famoso Zumba Fitness Weekend na Costa da Caparica, onde os fãs da modalidade passam três dias com hotel, piscina, festas e, claro, muita dança. “Sou suspeita para falar, mas a Zumba é a modalidade mais gira que existe. Toda a gente devia experimentar uma vez”, conclui.
Carregue na galeria para conhecer mais sobre a professora de Zumba Ana Sofia Ferreira.

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