Hélio Santos nasceu em Angola, mas foi na Amadora que encontrou um lugar para construir a sua vida. Começou por trabalhar nos CTT durante mais de 20 anos e, mais tarde, chegou a ser diretor de uma agência da Century 21. Hoje em dia, aos 57 anos, trabalha como consultor imobiliário na Remax da Urbanização de Vila Chã na Amadora. Desde cedo que o desporto marcou o seu percurso, com as corridas sempre presentes como hobbie.
O desporto sempre fez parte da sua vida. Jogou futebol desde jovem e continua a frequentar o ginásio com regularidade. Hoje, é também o rosto de uma iniciativa promovida pelo Grupo Must, um grupo de corridas que reúne moradores da Amadora às terças feiras, entre as 19h30 às 21 horas, para correr pela cidade de forma totalmente gratuita, cada um a seu ritmo. No final de cada treino, ainda oferece águas e fruta.
À New In Amadora, Hélio Santos explica como surgiu a ideia para a criação do grupo de corridas, qual o percurso que fazem e a relação dos moradores com esta iniciativa, além dos seus projetos para o futuro.
Como surgiu a ideia de criar um grupo de corridas?
A loja da Remax veio para a Urbanização Vila Chã em 2021 e tentámos ser parte integrante da comunidade através de eventos culturais. A comunidade tem um grupo de moradores que organiza festas no Magusto e nos Santos Populares, patrocinadas pelo Grupo Remax. Em 2023, estabelecemos uma parceria com outro grupo, no âmbito da qual apoiámos a realização de corridas no concelho da Amadora, que terminou o ano passado. No entanto, continuámos a manter as corridas todas as terças-feiras, entre as as 19h30 e as 21 horas, abertas a toda a população e de forma gratuita. Temos uma professora e é ela quem programa os treinos. Cada um corre ao seu ritmo, temos o nosso percurso e todas as terças-feiras o ponto de encontro é às 19h30. A maior parte das pessoas é do concelho da Amadora e, no final, distribuímos águas e fruta.
Quando começou a correr?
Sempre pratiquei desporto. Joguei futebol de forma profissional até aos 27 anos, altura em que uma lesão me obrigou a abandonar as competições. Ainda assim, mas nunca deixei de fazer desporto e continuei no ginásio. A corrida faz parte da minha rotina e, quando surgiu este evento todas as terças-feiras, não foi um sacrifício. Colaborei desde o primeiro momento e estou sempre presente. Acabo por ser o elo de ligação entre o Grupo Must e as pessoas que participam nas corridas todas as terças-feiras.
O que fazia antes de se envolver no grupo de corridas?
Iniciei a minha atividade nos CTT, onde estive durante 22 anos. Era responsável de loja numa estação de Correios e, quando houve a reestruturação, saí para o mercado de trabalho. Achei aliciante a atividade como consultório imobiliário, tanto a nível de remuneração, como em termos de objetivos. entrei no grupo da Century 21 há 13 anos, fui diretor de uma agência. Nessa altura, recebi um convite do Grupo Must e aceitei.
Como é a relação dos moradores da Amadora com o grupo de corridas?
Noto que quem participa vive no concelho da Amadora. As corridas são gratuitas e acompanhadas por uma pessoa que está qualificada para dar os treinos, muitas vezes ao ar livre, o que é uma vantagem porque há quem não queira treinar em ginásios.
Que tipo de percursos costumam fazer?
Temos um grupo de WhatsApp onde professora, moradora na Vila Chã e que já nos acompanha desde o início, partilha antecipadamente o percurso para esse dia. Nunca é igual, tanto podemos fazer 40 minutos de corrida, como 20 minutos. Por exemplo, ontem fizemos 20 minutos e fomos para o Parque Aventura fazer exercícios e flexibilidade técnica. Todas as semanas há um percurso diferente, mas sempre pelo concelho da Amadora. Normalmente, começamos a descer e depois, quando queremos regressar, começamos a subir, o que às vezes é o mais difícil. Mas também é giro porque torna-se um ponto de convívio, onde todos vamos a conversar.
Em que medida este projeto é uma mais-valia para a Amadora?
O desporto traz saúde e funciona como uma forma de descompressão face à vida agitada e ao stress acumulado do dia a dia. Ao final do dia, este momento permite libertar tensões, melhorar o bem-estar físico e mental e promover hábitos mais saudáveis. Além disso, o desporto promove o convívio entre as pessoas e o sentido de comunidade. É um esforço que traz benefícios. Sem dúvida que tem sido uma mais-valia da vida de quem participa deste projeto.
Recorda-se de algum episódio engraçado que tenha acontecido no grupo?
Há pessoas que, pela sua natureza, são mais introvertidas e nas primeiras corridas conversavam pouco. No entanto, acabámos por ver uma grande transformação e atualmente já falam mais do que nós. Chegam aqui e libertam-se. Tem sido uma transformação muito positiva.
O que mais se orgulha neste projeto?
Diria que é o convívio. Não se trata apenas de uma corrida, mas de um convívio entre pessoas que, enquanto andam ou correm, vão falando do seu dia a dia. As pessoas têm necessidade de falar e aproveitam este momento como um escape.
Tem projetos para o futuro?
Estamos a pensar fazer caminhadas, para aquelas pessoas que não gostam de correr, mas para isso temos de criar condições. E até mesmo caminhadas para pessoas com idade mais avançada.

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