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A voz que Portugal ouve todos os dias vive na Amadora

De campanhas publicitárias a spoken word, Mia Tomé construiu sua carreira como voice actress na cidade que a acolheu.

É ali, na Avenida Dr. José Pontes, mesmo em frente ao Estádio Estrela da Amadora, que vive uma das vozes mais ouvidas de Portugal. Não estamos a falar de Plutonio, Dillaz ou Ivandro, mas de Mia Tomé. Talvez o nome ou o rosto não lhe pareçam tão familiares, mas é muito provável que esta voice actress já lhe tenha feito companhia na sala de estar.

“Costumo brincar a dizer que entro em casa das pessoas todos os dias e ninguém imagina quem está por trás daquela voz. É muito ouvida, mas ninguém associa ao rosto”, conta Mia.

A atriz e locutora trabalha há 12 anos, emprestando a voz a campanhas publicitárias. Já participou em projetos de marcas como a Milaneza, Delta Q ou Intermarché. No entanto, foi na Amadora que protagonizou um dos trabalhos mais marcantes da sua carreira.

“Fiz uma campanha para a Dr. Bayard, que também tem sede na Amadora, em homenagem ao Dia Mundial da Voz”, recorda. O projeto juntou algumas das maiores paixões de Mia: voz, futebol e representação.

No vídeo, a atriz interpreta uma adepta que protege a voz com os rebuçados da marca antes de gritar golo. Para Mia, não foi uma tarefa difícil. Assume-se como benfiquista ferrenha, apesar de também ser sócia-torcedora do Estrela da Amadora. “Os dias de jogos são os meus favoritos. A rua ganha vida”, admite.

Apesar de ter crescido em Viseu, Mia considera a Amadora a terra que a acolheu. Licenciou-se na Escola Superior de Teatro e Cinema e, há quatro anos, comprou uma casa no concelho.

“Amo acordar de manhã, olhar pela janela, ver o estádio, sair a pé, parar na pastelaria Flor do Campo, que tem os melhores bolos de sempre. É essa vida de bairro que me faz sentir em casa”, afirma.

Conhecida pela família como a “prima do mundo”, Mia já atravessou oceanos com o seu trabalho. Além da publicidade, a atriz e locutora tem-se dedicado à poesia e ao spoken word. O seu último álbum, “Há um Herbário no Deserto”, lançado em 2025, foi inspirado nas obras de Emily Dickinson. Os singles foram gravados no Arizona e já chegaram ao Brasil, Angola, Estados Unidos e a várias regiões de Portugal.

“Claro que não são artistas como a Taylor Swift, que tem milhões de ouvintes no Spotify, mas há um público para estes artistas de poesia. E é algo de que gosto muito”, afirma.

Mia fez o primeiro curso de teatro aos 12 anos, na Companhia Paulo Ribeiro, em Viseu. Aos 15, mudou-se para Coimbra e continuou a estudar representação. “Depois fui para a Amadora fazer a Escola Superior de Teatro e Cinema e, por fim, para Nova Iorque, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, para estudar acting”, recorda.

O sonho inicial era chegar às grandes telas. Na faculdade, havia quem dissesse que Mia se tornaria “a nova cara do cinema português”. Apesar de ter participado em algumas curtas-metragens e de ter feito uma participação num filme de João Salaviza, a sua carreira acabou por seguir outros caminhos.

“A televisão dizia que era muito gorda. Vestia o 38, mas, para aquela época, era problemático. Então, nunca entrei no mundo das novelas”, conta.

Com o apoio da família e dos amigos, abriu-se a novos caminhos. Sempre muito elogiada pela sua voz, decidiu investir na área de voice acting. “O facto de ter ouvido muitos nãos da televisão não doeu tanto, porque logo comecei a trabalhar com a voz e encontrei-me ali”, recorda.

Hoje, sente-se cada vez mais realizada com o que faz. O desejo é continuar a apostar na publicidade e na poesia. Além disso, quer levar a língua portuguesa através do spoken word pelo mundo fora, mas sempre regressando ao lugar que, com orgulho, chama de casa.

“Vou para o mundo porque gosto de ouvir as histórias, mas a verdade é que a Amadora é uma cidade que está cheia de histórias e de pessoas de todos os lugares. É mesmo uma comunhão entre muitas pessoas e que, ainda assim, sabe a casa”, conclui.

Carregue na galeria para conhecer a Mia Tomé.

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