Há mais de 15 anos, quando os empreendedores e também irmãos Teddy e Ravy Truchot começaram a pesquisar sobre oportunidades no universo das plataformas de namoro, descobriram um dado curioso: cerca de 30 por cento das pessoas que se inscrevem nestas aplicações, como o Tinder ou o Bumble, dizem que são solteiras, quando, na verdade, não são.
A conclusão transformou-se numa ideia que não demorou muito tempo para ser concretizada. Em 2009, decidiram criar uma aplicação de namoro, chamada Gleeden, com um twist: era focada em mulheres e em encontros não monogâmicos.
“Perceberam que havia este tipo de nicho de pessoas que, na verdade, quando estão em aplicações de namoros, o que procuram não é um parceiro ou alguém para criar uma relação. Mas sim aventuras ou amantes”, começa por contar à NiT Silvia Rubies, diretora de marketing da Gleeden na América Latina, México, Espanha e Portugal.
A plataforma nasceu em França e, nos últimos anos, expandiu-se para mais de 150 países. No início de março, chegou oficialmente a Portugal. Apesar de já estar disponível no site desde a pandemia da Covid-19 no nosso País, só agora é que a empresa está a apostar em território português.
Silvia refere que o momento surge por um motivo simples: nos últimos anos, Portugal tem recebido pessoas de várias partes do mundo, assim como aconteceu em Espanha, o seu país natal. Graças a esta movimentação constante, a aplicação decidiu apostar este ano no mercado português.
“Sentimos que há algo culturalmente importante e interessante a acontecer em Portugal”, diz. “Portanto, queríamos ver se a sociedade portuguesa era madura o suficiente para começar a falar sobre este tipo de assuntos”, aponta.
A diretora explica que o motivo da aplicação ter começado em França é simples. Por lá, as relações não monogâmicas e conceitos como ménage à trois são mais “normalizados na sociedade”. Ao longo dos anos, a aplicação começou a ficar disponível em outras regiões, à medida que os criadores sentiam essa mesma maturidade noutros países.

A aplicação foi “pensada para as mulheres”
Embora a aplicação tenha sido criada por dois irmãos franceses, é gerida por mulheres. Afinal, desde o início, foi moldada pensando nelas. A marca cria várias ativações pelo mundo e participa em palestras sobre sexualidade e liberdade femininas.
“Sentimo-nos muito orgulhosos de nos focarmos nas mulheres”, frisa a diretora de marketing. “Além de ser um lugar onde as pessoas podem encontrar outros tipos de amores ou aventuras, podem também encontrar parceiros com os mesmos gostos e desejos.”
Silvia refere que é comum a “infidelidade” ser mais aceitável quando cometida por homens. No entanto, é um tema que ainda “estigmatiza as mulheres”, sendo pouco falado entre o sexo feminino. É neste sentido que a Gleeden tenta trazer uma mudança. A aplicação pretende criar “um ambiente seguro para as mulheres que querem expressar-se livremente, falando sexualmente, sem nenhum tipo de julgamento”.
No entanto, a responsável refere que há uma série de maneiras de também garantir a segurança dos utilizadores. As inscrições são gratuitas tanto para homens como para mulheres, e embora possam escolher apenas um apelido para ser colocado na plataforma, é obrigatório que todos disponibilizem um email.
“Temos uma equipa que garante que todos os perfis são pessoais reais”, refere. Na própria página, os utilizadores podem descrever os gostos pessoais, o tipo de relação em que se encontram, os desejos, entre outras particularidades.
A partir do momento em que uma conta é verificada, os utilizadores passam a poder acessar a plataforma e ver todos os perfis da zona onde se encontram. No entanto, enquanto as mulheres podem fazer tudo gratuitamente (desde explorar os perfis até enviar mensagens), os homens têm de comprar créditos para interagir com os utilizadores — os valores começam nos 14,99€ para 25 créditos.
“Para enviar uma mensagem para alguém que de que gostam, os homens têm de gastar créditos e para recebê-las também”, explica Silvia. Além disso, a plataforma disponibiliza um álbum público e gratuito com fotografias partilhadas pelos utilizadores.

No entanto, existem também álbuns privados, criados pelos próprios utilizadores, cujo acesso só pode ser permitido pela dona ou pelo dono da conta.
“A partir do momento em que passa a conhecer melhor a outra pessoa, pode partilhar as fotogradias privadas”, sublinha. “Os pilares da nossa plataforma são a segurança e a privacidade. Temos sempre uma equipa de informática a garantir que todas estas trocas sejam privadas. Não guardamos nenhuma informação pessoal”.
A Gleeden tem também algumas regras que devem ser seguidas. “Temos uma equipa de mulheres que está disponível 24 horas por dia para garantir a segurança de todas as pessoas”, sublinha. Há, por exemplo, palavras que devem ser evitadas como “dinheiro” ou “favores.”
Por outro lado, estão também atentas ao comportamento dos perfis masculinos. Caso percebam que um homem está “a abusar, a insistir ou a assustar” alguém, a aplicação vê-se no direito de suspender a conta. “O nosso objetivo é que as pessoas estejam seguras, especialmente as mulheres”, afirma. “Estamos sempre a trabalhar para terem acesso ao ambiente mais privado e seguro possível.”
Uma das ferramentas disponíveis é também a Move to Exit. Caso esteja a aceder a plataforma em público ou ao lado de outras pessoas, basta mover o telemóvel para a aplicação fechar automaticamente.
A Gleeden está disponível online ou através de aplicações móveis (iOS e Android).

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