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Casas de luxo chegam aos 2,5 milhões na nova urbanização que nasceu na Amadora

Ninguém arrisca um número, mas o SkyCity, na serra de Carnaxide, e o Alto do Tejo vão trazer entre sete a 10 mil novos moradores.

Quando se desce o IC19, com o Hospital Fernando da Fonseca à esquerda, percebe-se que ainda há muito terreno livre para construir na Amadora. E, aparentemente, é verdade. Para lá da unidade de saúde, ergue-se uma urbanização, com casas de luxo, que vai crescendo a grande velocidade — apesar de só estar ao alcance das famílias mais ricas. 

Por enquanto, já existem dois empreendimentos, embora haja outros promotores imobiliários de olho no negócio, que permitirão revitalizar a zona de fronteira entre os concelhos de Amadora e Oeiras — mas, ao mesmo tempo, trazer entre sete a dez mil novos moradores.

O complexo SkyCity é um velho conhecido. O terreno já estava reservado no Plano de Pormenor da Serra de Carnaxide (uma parte substancial pertence ainda à freguesia da Venteira), que a Câmara da Amadora aprovou em 1996. Há quase 30 anos, portanto.

Quem conhece a zona viu os anos passarem e a obra continuar parada, só com a construção de um primeiro edifício em meia-lua. Agora, pelas mãos do JPS Group, a obra avança a bom ritmo. Inclusivamente, muitos dos fogos já estão habitados.

Ainda há muitos lotes em construção.

Para que se perceba, porém, a passagem inexorável do tempo, recorde-se que, quando foi apresentado, em 2017, o SkyCity tinha previstos 365 fogos, entre moradias e apartamentos, e o promotor dizia que queria “atrair as classes médias portuguesas”.

Na altura, em declarações ao “Diário do Imobiliário”, o CEO do JPS Group, João Sousa, explicava que “mais de 80 por cento dos compradores são famílias portuguesas com ou sem filhos, mas também clientes solteiros na faixa dos 30 anos que pretendem ter casa própria e que têm critérios de exigência que seria difícil encontrar em termos de qualidade/preço no centro de Lisboa”.

Na altura, o SkyCity apresentava preços bastante competitivos, com apartamentos a partir de 135 mil euros. Uma moradia em banda tinha um custo prometido de cerca de 360 mil e era possível adquirir uma moradia isolada com piscina por pouco mais de 500 mil euros.

Classe média? Antes da crise, talvez

O que ninguém previa é que a crise financeira decorrente da Covid-19 e da guerra da Ucrânia, mais a procura do investimento estrangeiro em Portugal, fizessem disparar os preços. Hoje, no SkyCity os mesmos apartamentos compram-se por valor a partir dos 350/400 mil euros (valores para T2) e há moradias prontas e usadas, com piscina, a serem vendidas por 2,7 milhões nas plataformas imobiliárias.

O empreendimento de casas de luxo, com 144 lotes de terreno, de acordo com o projeto aprovado pela Câmara da Amadora há 30 anos, conta com 255 apartamentos de tipologias T2, T3, T4 e T5, 50 moradias em banda, com uma área útil de 180 metros quadrados, e 16 moradias geminadas com 200 metros quadrados de área útil.

O projeto contempla ainda 49 moradias isoladas, com uma área bruta de construção de 402 metros quadrados, uma área de habitação de 250 metros quadrados acima do solo e cerca de mil metros quadrados de lote.

“No empreendimento SkyCity, as 49 moradias isoladas (V4), distinguem-se pela contemporaneidade arquitectónica e do design, excelência construtiva e de acabamentos, ao serviço de um conceito original residencial e de lazer, envolvidos pelo mais sofisticado luxo, em ambiente de exclusividade, conforto e segurança”, avança o promotor no seu site.

Casas de luxo habitadas, máquinas em manobras, poeira pelo ar

O luxo prometido convive ainda paredes meias com o incómodo da construção, como testemunhou a New in Amadora esta quarta-feira, 21 de maio, ao local. Percebe-se que muitos empreendimentos já estão concluídos, vendidos e habitados — em muitas varandas, há mobiliário de exterior, noutras, há estendais de roupa ocupados, e vimos ainda dois ou três residentes sentados a ler.

Ao lado das casas de luxo já habitados, há obras, poeira e barulho permanente.

Ao mesmo tempo, porém, do outro lado da rua, em estradas que ainda não estão devidamente alcatroadas, as máquinas trabalham afincadamente e de forma barulhenta, veículos pesados descarregam material de construção, numa azáfama própria de quem procura correr contra o tempo e os atrasos.

A New in Amadora enviou algumas perguntas ao CEO do grupo sobre o empreendimento, o seu impacto em termos de população residente e prazo de conclusão da obra. João Sousa respondeu, remetendo-nos para o departamento de comunicação, mas, até ao momento, as respostas não chegaram.

Alto do Tejo: mais 759 fogos

Mais atrasado está o condomínio Alto do Tejo, que vai começar a ser construído num terreno também na freguesia da Venteira, que ficou conhecido como Parque Marconi, e que foi vendido no âmbito de um processo de insolvência do fundo imobiliário criado no seio do Banco Espírito Santo.

Segundo o projeto aprovado pela Câmara na década de 90, este condomínio apresenta uma área total superior a 300 mil metros quadrados, dividida em 86 lotes de construção, e “representa uma nova abordagem na malha residencial que envolve a cidade, uma clara aposta na descentralização e no desenvolvimento de áreas urbanas fora dos grandes centros”.

A placa já está lá está. E o stand também. Falta o resto.

Para já, não há ainda construção. Apenas um grande outodoor a anunciar que ali vai nasceu o Alto do Tejo, umas setas a apontar para o stand de vendas, e o próprio stand, rodeado de bandeirinhas, no meio de nenhures, onde uma funcionária, sentada a um computador, está sozinha a passar o tempo, para qualquer eventualidade.

Ao fundo da zona delimitada para a construção, cuja maior parte nem sequer está ainda desmatada, uma paisagem de cortar a respiração, já que a vista para o rio é ampla e aberta. Por enquanto, claro.

O promotor é a Zume Construções, que já assinou a vizinha urbanização Casas do Lago (Venteira), que continua em expansão, e a urbanização junto ao Parque Neudel, na Damaia, freguesia de Águas Livres.

Se o SkyCity já tinha 365 fogos previstos, capazes de albergar, numa estimativa conservadora, dada as tipologias em casa, cerca de três mil pessoas, o Alto do Tejo contará, quando estiver pronto, com 759 casas de luxo, bem como áreas comerciais e de serviços, cuja construção deverá ser feita em duas fases.

A primeira está a começar agora, com a construção de quatro edifícios num total de 192 fogos. A segunda fase do projeto, com os 567 fogos, não tem ainda prevista de início de construção.

Ou seja, quando tudo estiver concluído, e com o dobro dos fogos construídos, é legítima estimar que poderão morar no Alto do Tejo, dadas as tipologias dos apartamentos e das moradias, cerca de quatro a cinco mil pessoas. Se a isto juntarmos a expansão da urbanização Casas do Lago, ali ao lado, toda aquela zona nos limites do concelho da Amadora poderá ganhar cerca de sete a dez mil novos residentes.

O Lote 45 é o primeiro lançamento do Alto do Tejo, com 52 apartamentos T1, T2, T3 e T4 de 65 a 162 metros quadrados. “Projetado para funcionalidade e bem-estar, privilegia a luz natural e espaços amplos”, promete o promotor.

Das mesmas tipologias serão os apartamentos do Lote 46, com áreas um pouco maiores — dos 85 metros quadrados por T1 até aos 194 do maior T4.

Quanto a preços, os T1 variam andam na casa dos 300 mil euros, os T2, nos 400 mil e os T3 e T4 acima do meio milhão de euros.

“Idealizado para ser usufruído de acordo com os novos padrões de vida, o Alto do Tejo pretende recriar o conceito de ‘cidade dos 15 minutos’, onde além da habitação, o empreendimento aposta na criação de uma comunidade integrada, com infraestruturas multidisciplinares que promovem o bem-estar, o lazer, e a conveniência para os residentes e para onde estão previstas soluções “inovadoras” de co-working, residências seniores, supermercados de proximidade, clínicas, residências de estudantes, entre outras”, explica o promotor.

Desenhado pelo atelier de arquitetura e urbanismo, Plarq, uma das características diferenciadoras do Alto do Tejo é a existência de um lote de equipamento escolar, demonstrando o compromisso com a criação de um ambiente completo e autossustentável. Além disso, a presença de espaços dedicados ao lazer e ao desporto refletem a importância dada à qualidade de vida.

Carregue na galeria para ver mais imagens dos dois condomínios.

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