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Cristiana era mais bolos, mas sonhava trabalhar com animais. Criou a Lua sem Trela

Loja de grooming na Amadora, junto ao Parque da Mônica, é uma homenagem ao primeiro animal de estimação de Cristiana. Atende cães, gatos e coelhos.

Cristiana não tem razões para se lamuriar da sua vida. Afinal, tem uns pais que a ajudaram no tempo certo. Concretizou um sonho, o de trabalhar com animais. Mora com o namorado e dois patudos e anda sempre com um sorriso no rosto. Aos 32 anos, Lamúrias só mesmo no nome, Cristina Lamúrias.

A jovem é a proprietária da Lua sem Trela uma pet shop de banhos e tosquias situada na Falagueira, mesmo em frente ao Parque da Mônica, na Amadora. Cristiana abriu o espaço há quatro anos e meio, depois de, meio a medo, ter percebido que aquilo que fazia antes profissionalmente não lhe enchia as medidas.

O que ela queria eram os animais

E porquê a medo? “Era pasteleira, tal como o meu pai. No fundo, segui as pegadas dele, coisa que o deixava muito orgulhoso, até porque dizia que eu tinha jeito para a coisa. Mas aquele não era o trabalho dos meus sonhos e já estava muito cansada”, confessa à New in Amadora.

Com medo de desiludir o progenitor, a conversa inevitável ia sendo protelada, mas quando finalmente aconteceu a reação foi inesperada. “Mostrou o oposto daquilo que pensava que ia acontecer. Surpreendeu-me muito, confesso. Apoiou-me imenso e quando dei por mim, ele já fazia publicidade ao meu espaço”, recorda, divertida.

A Lua sem Trela é de Cristiana Lamúrias, mas a jovem groomer sabe que tem de agradecer o apoio dos pais, ainda novos, com menos de 70 anos. “Felizmente, tenho um suporte importante deles, que me ajudaram imenso a concretizar este sonho. Sem a ajuda deles não tinha sido capaz de financiar A Lua sem Trela”, garante.

O nome da pet shop chama logo a atenção. Mas não apenas marketing. Tem uma explicação. “A minha primeira cadelinha chamava-se Lua, e foi a minha introdução ao mundo canino. Até aí eu nem sabia que se podia ter cães — eu era muito novinha — nem tinha noção do tanto bem que eles nos fazem”, prossegue divertida.

Uma paixão com dois dias

Cristiana tinha 6 anos quando Lua chegou a casa dos pais. “Lembro-me que foi uma grande alegria e afeiçoei-me logo a ela, agarrava-me, dava-lhe beijinhos. E ela também me adotou. Até lá tinha tido muito pouco contacto com animais, nem cães, nem gatos. A Lua foi a minha introdução a este maravilhoso mundo. A mãe rejeitou as crias e ela veio para nossa casa com apenas dois dias. Era mesmo muito pequenina e precisava de todos os cuidados para sobreviver”, recorda.

E, portanto, é fácil perceber que quando abraçou esta área, quis prestar a sua homenagem a Lua, que viveu 15 anos. “Ela era um espírito muito livre. E também era rebelde.  Eu também tenho os meus momentos de rebeldia [risos]. Acho que isto é um fenómeno de osmose, eles ganham coisas nossas e nós coisas deles”, concretiza.

Residente na Amadora, no Casal de São Brás, com o namorado e dois cães, a empresária diz que “o negócio está a correr bem”. “Não gosto nada de chamar a isto um negócio, porque é a minha paixão, mas não deixa de o ser, porque eu sou empresária”.

Cristiana lembra que, quando começou, ainda não era muito vulgar haver lojas só de banhos e tosquias. “Hoje é diferente. Tem havido um crescimento brutal e cada vez temos mais clientes que trazem cá os seus animais”

Situada na Rua Maria Alda Barbosa Nogueira 4C, a Lua Sem Trela, não tem muito espaço para crescer. “Temos o serviço de groming, para cães, gatos e coelhos, e um pequeno espaço de petshop, mas que não é de todo o nosso foco. É mais para eles terem ali um miminho, enquanto esperam”.

Às vezes, reconhece, dar banho aos gatos é um desafio, mas há outros que surpreendem e parecem cães. Os banhos para cães custam a partir de 17€, dependendo do porte do animal e da pelagem. Para os gatos, a partir de 23€. Aos coelhos não se dá banho, só tosquias.

“Gostava muito de ter um consultório veterinário também. Já pensei nisso, mas isso envolve outra estrutura — a burocracia é gigante e desisti. O meu sonho é ampliar os nossos serviços para hotel e creche, mas tinha de ser noutro espaço, porque aqui não tenho por onde crescer.

Para já, contenta-se com o que tem. E adora o que faz. “Quando chego a casa, ainda tenho lá os meus dois: um velhote de 13 anos, o Kovu, e a Castanha, uma menina que apanhei na rua, que estava muito mal tratada, não tinha chip e fiquei com ela. A ideia inicial era ver se alguém a adotava, mas ela arranjou casa primeiro”, conclui divertida à New in Amadora.

Carregue na galeria e conheça as verdadeiras estrelas da Lua sem Trela.

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