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Dos grafitis a tatuador premiado: a história de Iguana e do novo estúdio na Colina do Sol

Depois de superar uma adolescência difícil no Brasil, mudou-se para a Amadora e abriu o Iguana Euro Ink, com tatuagens de 30€ a 900€.

Desde muito cedo que os miúdos dão sinais do que gostam de fazer. Muitas vezes, é nesta fase que nascem as possibilidades de uma carreira para o futuro, mesmo que ainda que nem consigam imaginá-lo. Foi assim para Leandro Sodré, brasileiro de 46 anos, mais conhecido por Iguana. Apaixonado por desenhos desde pequeno, o tatuador acaba de abrir o seu próprio estúdio na Amadora.

Nascido na Bahia, no nordeste do Brasil, tinha o hábito de rabiscar tudo o que via pela frente, dos cadernos da escola às paredes de casa. Aos 12 anos, mudou-se para São Paulo, no sudeste do país, e acabou a fazer pichação de paredes, assinaturas feitas com tintas de spray mais conhecidas por tags.

“Foi por uma questão de proteção. Naquela época, quem não fizesse parte de um grupo, era perseguido na escola e apanhava dos mais velhos. Só que comecei a ver que não me dava vantagem. Era sempre apanhado pela polícia, ou pelos donos das casas”, conta.

Um dia, enquanto andava de skate, viu um rapaz a pintar uma parede na rua, mas ficou impressionado quando percebeu que o carro da polícia não o tinha mandado parar. “Fui falar com ele e percebi que o que estava a fazer era grafiti, uma arte”, conta o tatuador.

A partir daí, começou a fazer o mesmo. Voltou à sua cidade natal e passou a trabalhar com grafitti, pintando escolas e estabelecimentos comerciais. Essa tornou-se a sua profissão, mas ainda havia espaço para mais.

Quando a paixão começou

A certa altura, muitos dos seus amigos do grafiti começaram a investir na tatuagem e um deles incentivou-o a começar. “Em 2012, ofereceu-me o equipamento e foi meu primeiro contato com a tatuagem profissional. Desde então que se tornou uma paixão”, relembra.

Apesar de ter construído o seu próprio estúdio no Brasil, conquistado reconhecimento e mantido uma agenda cheia, a falta de segurança levou-o a querer recomeçar longe dali. “Tenho duas filhas pequenas e, no Brasil, fui vítima de um assalto com violência. Então, decidi sair para procurar segurança e qualidade de vida”, confessa.

Há três anos, veio participar numa convenção a Lisboa e decidiu que Portugal poderia ser o seu recomeço. No início não foi fácil. Começou por viver em Aveiro, mas a mulher não se adaptou ao frio. Mudaram-se para Lisboa e enfrentaram os preços elevados das rendas.

Para complementar o rendimento, Iguana teve de deixar a tatuagem temporariamente e arranjar empregos mais estáveis. Trabalhou como motorista e numa empresa de recolha de medicamentos. Mas a arte continuava a falar mais alto.

Abertura do estúdio na Colina do Sol

Iguana mudou-se para a Holanda quando surgiu uma oportunidade de trabalhar como tatuador, onde esteve oito meses, além de outros trabalhos pontuais pela Europa. Foi quando regressou a Portugal que decidiu abrir o próprio estúdio na Colina do Sol, onde encontrou uma loja para arrendar.

“Passei pela Holanda, França, Espanha, Bélgica, Alemanha e tudo isso através da arte. Até que decidi criar raízes e abrir o Iguana Euro Ink”, diz.

Apesar de já ter passado por muitas cidades, países e estúdios, para Iguana o estúdio situado no Centro Comercial Colina do Sol é o mais incrível. “Sinto-me em casa, as pessoas tratam-me com muito respeito”.

Além de ter pintado o espaço ao seu gosto, decorou-o de forma mais profissional e madura. Na parede, pendurou os seis prémios de reconhecimento como tatuador em diferentes estilos, como realismo, oriental, preto e cinzento e trash polka.

 
 
 
 
 
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Iguana quer mostrar que a tatuagem é um trabalho sério e responsável. Por isso, quem passa pelo estúdio consegue vê-lo a trabalhar, como numa montra do seu talento. “A tatuagem sempre teve um rótulo de marginal, suja, sem segurança ou higiene, mas os profissionais especializaram-se muito. Temos os melhores equipamentos, desde a cadeira em que o cliente se senta até à máquina com que trabalhamos ou a tinta que se aplica na pele”, reforça.

No estúdio, atende clientes de todas as idades e com diferentes objetivos. Tem, inclusive, notado um aumento do público sénior a querer fazer a primeira tatuagem e gosta de ver a felicidade das pessoas com o resultado final.

“Uma vez, recebi a visita de uma senhora mais velha, por volta de 70 anos, que confessou ter o sonho de fazer uma tatuagem, mas o marido nunca deixou. No ano passado, o marido faleceu e ela decidiu tatuar o seu nome”, contou à NiA.

Agora, o seu desejo é continuar com o estúdio, atender cada vez mais clientes, com a maior qualidade e precisão possíveis e, ao mesmo tempo, ter tempo para a família e levar uma vida tranquila.

O que fica para sempre

Muito ativo nas redes sociais, é aqui que os clientes podem entrar em contacto com Iguana para agendar uma sessão ou ver os trabalhos anteriores. O estúdio está aberto de segunda a sábado, das 9 horas às 18 horas, mas o tatuador pode adaptar a agenda às necessidades dos clientes.

Quanto aos preços, as tatuagens mais pequenas custam cerca de 30€, podendo chegar aos 100€, 200€, 600€ ou até 900€, dependendo do tamanho e da zona do corpo. Antes de qualquer trabalho, Iguana conversa com todos os clientes para perceber o desenho pretendido, referências e o local onde vai ser feita.

Além disso, também faz restauros de outras tatuagens, coberturas e body piercing, já com a joia incluída. “O meu lema é ‘o nosso melhor ficará para sempre’. Então, procuro dar sempre o meu melhor porque sei que as pessoas vão carregar algo meu para o resto da vida. É uma conexão eterna”.

Carregue na galeria para conhecer o trabalho de Iguana.

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