Prefere cães ou gatos? Há dez anos, esta seria uma pergunta muito fácil para Andreia Marisa responder. A amadorense conviveu toda a vida com cães em casa dos pais e quase não teve contacto com felinos. Mas bastou conhecer a pequena Luna para mudar de ideias. Andreia tornou-se uma defensora dos gatos e até abriu o próprio negócio de cat sitting na Amadora.
No Dia Mundial do Gato, que se celebra a 8 de agosto, a NiA foi conhecer a história de quem trocou a paixão pelos cães por um amor incondicional aos felinos, para descobrir o que torna estes animais tão especiais.
“Via alguns gatos na rua, mas não tinha qualquer ligação a eles. Sempre ouvi dizer que eram ariscos, arranhavam e não eram de confiança. Mas quando conheci a Luna, ela deu-me tanto amor. Foi espetacular”, recorda.
Os caminhos das duas cruzaram-se em 2018, quando saiu da casa dos pais para viver sozinha, mas ainda assim queria companhia. A ideia inicial era adotar um cão, mas por exigir mais cuidados e atenção, acabou por mudar de planos. “Nem pensei muito. Vi uma publicação no Facebook de um veterinário fui conhecer a Luna. Era tão pequenina, tinha apenas três meses. Foi amor à primeira vista”, conta a amadorense, de 44 anos.
Em pouco tempo, Luna conquistou o coração de Andreia e apoderou-se da sua nova casa. “Ela é muito dominadora, acha que é a dona do pedaço e que sou o brinquedo dela”, lembra. Para a ajudar a gastar energia, decidiu adotar Zeus. Assim, os dois podiam brincar juntos durante o dia.
A fase de adaptação incluiu patadas, corridas e alguns arranhões, mas hoje dão-se bem na maior parte do tempo. Há dois anos, a família ganhou um terceiro membro. “A Xana foi encontrada na rua, nos Moinhos da Funcheira. Uma senhora publicou um pedido de ajuda no Facebook. Fui até lá, mas quando vi que era uma gatinha, apaixonei-me e tive de a trazer também”, conta.
Para Andreia, ajudar gatos é quase um “vício”. A vontade de os salvar é tanta que, por vezes, é difícil agir de forma racional. “Não quero ser uma acumuladora, mas ajudar os gatinhos que sofrem nas ruas. No entanto, preciso de ter condições para lhes dar uma boa vida. E o veterinário é muito caro”, sublinha.

Totalmente a favor da adoção, Andreia já fez voluntariado na AMIAMA e sonha abrir o seu próprio espaço dedicado aos felinos. “Talvez um hotel ou uma estrutura maior”, diz. Enquanto não consegue concretizar esse desejo, dedica-se à Bigodes e Patinhas, o projeto de cat sitting que criou na Amadora há três anos, por incentivo de uma amiga que já trabalhava na área.
Atualmente, a atividade funciona como um rendimento extra, já que Andreia trabalha na área administrativa, com um horário fixo das 8h30 às 17h30. “Durante o verão, por vezes chego a casa às 23 horas ou à meia-noite”, conta.
As visitas duram cerca de uma hora e Andreia faz questão de enviar fotografias e vídeos aos tutores. Desloca-se sempre à casa dos clientes, onde trata da alimentação dos gatos, brinca com eles, limpa as caixas de areia e garante que recebem toda a atenção que precisam.
Para ela, o mais fascinante é descobrir a personalidade de cada felino. “Em cada casa é uma experiência diferente, mas todas cheias de amor.” Ao fim de três anos, admite que sente que alguns destes gatos também se tornaram um pouco seus. Pelo caminho, criou ainda amizades com muitos dos tutores.
Quando regressa a casa, há sempre três gatos à sua espera. “Mal coloco a chave na porta, já tenho os três à espera para me receber. A verdade é que são independentes, mas também precisam de nós e gostam dos nossos mimos”, diz.
Agora, sonha adotar mais um gato e, quem sabe, conseguir dedicar-se a tempo inteiro ao serviço de cat sitting. “Se este fosse um trabalho financeiramente estável, já me tinha dedicado exclusivamente a isto. É mesmo uma paixão por estes peludos de quatro patas.”
Carregue na galeria para conhecer os três gatos de Andreia Marisa.








