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Grupo de dança que marcou a Guiné-Bissau nos anos 90 reencontra-se na Amadora

Os antigos integrantes do Dance Biss estão espalhados pelo mundo, mas voltam a encontrar-se em Portugal no dia 29 de agosto.

A Amadora vai ser palco de um reencontro histórico no último fim de semana de agosto. O grupo Dance Biss, que conquistou a Guiné-Bissau nos anos 90, vai voltar a reunir os fãs da dança africana numa festa com muita música, gastronomia e cultura, mas, desta vez, em terras portuguesas.

“Estamos a tentar resgatar este projeto que sempre fez vibrar o público. Começámos há mais de 30 anos, mas depois acabámos por nos separar”, conta Napok, um dos fundadores do grupo.

Com mais de 25 integrantes, o Dance Biss apresentava danças modernas de diferentes culturas. O soukous, do Congo, com um ritmo rápido e animado, era um dos géneros musicais que mais embalava o grupo. Além disso, também havia rap, da América, e um pouco de salsa.

“No início, dançávamos em discotecas, mas ganhávamos bem menos do que os donos dos estabelecimentos. Por isso, reunimos todos os colegas que dançavam e decidimos lançar o Dance Biss, de forma independente”, relembra.

Napok é um dos quatro fundadores e, apesar de ser o mais novo, era o coordenador de todas as coreografias de dança. “Fazia a coreografia das mulheres, dos homens, da parte cultural latina. No fim, formámos uma junção dos melhores bailarinos de dança moderna da Guiné-Bissau”, afirma.

Apesar de terem feito sucesso em terras africanas e conquistado uma legião de fãs, o grupo acabou por se dispersar depois da Guerra Civil na Guiné-Bissau. “Vai chegando a idade, mulheres, filhos, trabalho. Além da imigração, fomos em busca de melhores condições de vida”, recorda.

Os integrantes espalharam-se pelo mundo. Há quem viva na Bolívia, nos Estados Unidos, em Espanha e no Brasil. O próprio Napok vive atualmente em Inglaterra. “Esta ideia de reencontro surgiu há cinco anos. Começámos a contactar os nossos colegas e irmãos para voltar a reunir”, comenta.

Criaram grupos no WhatsApp e tiveram ainda a ideia de criar uma Fundação com o nome Dance Biss. Além de resgatar a dança africana, o objetivo é ajudar pessoas carenciadas da Guiné-Bissau através da organização. “É um orgulho deixar um legado na nossa terra natal.”

Não foi difícil escolher Portugal como ponto de reencontro do grupo. “É a nossa segunda pátria. Todos começámos por Portugal e depois fomos para outros países”, explica.

O evento vai acontecer no dia 29 de agosto, na Associação Cultural e Desportiva do Casal da Mira, das 13 às 23 horas. A organização promete muita música, dança, gastronomia variada e animação por 35€. O espaço tem capacidade para até 450 pessoas, mas a ideia é limitar os convites para garantir o conforto dos convidados.

“Já temos 200 pessoas confirmadas. Estamos muito felizes. É uma maravilha reencontrar pessoas que já conhecemos há 30 anos. É bonito voltar a lembrar o tempo passado e transmitir essa imagem aos mais novos”, conclui.

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