“O que vai acontecer? Estou sozinho. E se tudo correr mal?” O medo e a ansiedade tomaram conta de João Magalhães naquela sala de hospital. Preparava-se para fazer um exame médico invasivo quando se lembrou de uma ação simples, mas poderosa: respirar. Regressou ao momento presente, aplicou Reiki em si próprio e conseguiu voltar a “centrar-se na realidade”.
Aos 51 anos, sempre se considerou uma pessoa espiritual. Aos 15 anos, começou a praticar meditação e, pouco tempo depois, descobriu o Reiki. “É uma filosofia de vida com cinco princípios. Dizemos: ‘só por hoje sou calmo, confio, sou grato, trabalho honestamente e sou bondoso'”, explica. De acordo com João, a ideia do “só por hoje” existe precisamente como um lembrete para regressar à presença no aqui e agora.
O método surgiu em 1922, no Japão, e combina tanto a vertente filosófica, como práticas terapêuticas. Trata-se de um trabalho de reequilíbrio energético, através do qual as pessoas podem realizar um auto-tratamento ou aplicá-lo noutras pessoas.
Além de praticante de Reiki, João estuda o método de forma intensiva há mais de 25 anos. Em 2008, fundou a Associação Portuguesa de Reiki, da qual é atualmente o presidente. Além disso, dá aulas de meditação na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa. “São orientadas para que os futuros enfermeiros possam desenvolver competências de autogestão emocional no trabalho e transmiti-las também aos utentes”, conta.
No entanto, é na Amadora que se encontra o seu centro de bem-estar: a Ser – Cooperativa de Solidariedade Social. João vive na Amadora desde 2015 e decidiu abrir as portas do centro no final de 2018. Ali, oferece sessões de Reiki, aulas e terapias. “Abri o espaço como uma forma de criar melhores condições para ensinar o Reiki e proporcionar voluntariado a todos os que necessitem”, diz.
Além dos moradores do concelho, costuma receber pessoas do Algarve, Porto, Viseu e também das ilhas. Já organizou cursos e retiros no espaço, sempre com as vagas preenchidas. “É mesmo uma experiência transformadora e capacitadora para os participantes”. No próximo dia 18 de julho, vai promover a primeira edição do retiro de Reiki e Mindfulness naquele espaço.
O primeiro retiro na Amadora
O evento de um dia, entre as 10 e as 17 horas, custa 55€, valor que inclui a participação no evento e o livro “Reiki para a Ansiedade”, que servirá de complemento aos conhecimentos adquiridos durante a iniciativa.
“O retiro está fundamentado na interligação das duas práticas. O Reiki enquanto ferramenta para capacitar a pessoa e equilibrar a sua própria energia, e o mindfulness, que se refere à nossa capacidade de presença plena e autorregulação”, comenta.
João ficará responsável pela componente de Reiki, enquanto Rita Tique vai conduzir as atividades relacionadas com mindfulness. A lisboeta de 49 anos pretende ensinar aos participantes mais do que apenas a teoria. “Vamos focar-nos em práticas informais, que consistem em introduzir o mindfulness no dia a dia, seja durante o passeio com o cão de manhã, no banho, ao lavar os dentes ou durante as refeições”, explica.
Apesar de possuir várias formações em mindfulness e desenvolvimento pessoal, Rita acredita que quem mais lhe ensinou sobre bem-estar e autoconhecimento foi o pai. “Desde que tenho memória de mim própria, lembro-me de praticar mindfulness”, conta.
Isto porque o pai sempre foi um defensor deste tipo de práticas e incentivava-a a integrá-las no quotidiano. “Quando tinha pesadelos, por exemplo, punha-me a praticar meditações. Na altura, estava longe de saber o que eram, mas mais tarde percebi tudo”, recorda.
Além disso, treinavam frequentemente a arte da contemplação, fosse a ouvir os pássaros, observar as próprias sensações corporais ou apreciar um pôr do sol. Para Rita, o mindfulness tem o poder de a centrar na realidade. Quando tende a ruminar sobre o passado ou a preocupar-se com o futuro, recorre à prática para não perder o contacto com o aqui e agora.
João sente algo semelhante em relação ao Reiki. No dia do exame no hospital, percebeu uma transformação quase imediata — não da situação em si, mas da forma como a encarou. “O Reiki não me retira a necessidade de ir ao médico, mas ajuda-me a lidar com esse desconforto de outra forma”, explica.
E é precisamente isso que ambos pretendem oferecer aos participantes do retiro. Mais do que aprofundar conceitos teóricos, querem disponibilizar ferramentas práticas para que as pessoas se sintam mais capacitadas a viver uma vida equilibrada e com maior paz interior.
Ao longo do dia, vão ser realizadas diferentes práticas e exercícios. O almoço fica a cargo de cada participante e integrará também uma atividade de mindfulness. Haverá ainda um lanche oferecido pela organização e, no final, todos recebem um certificado de participação.
O evento é aberto a todos, independentemente do nível de experiência. Os interessados deverão enviar um e-mail para joao@nulljoaomagalhaes.com.








