fora de casa

fora de casa

Jovens da Boba ajudaram a transformar esta praça da Amadora numa obra de arte

A Praceta António Duarte, no bairro da Boba, foi revitalizada através de um projeto europeu de arte urbana participativa.

As ruas e praças da Amadora já não são as mesmas. Desde o lançamento do projeto Conversas na Rua, em 2015, vários espaços públicos do concelho ganharam uma nova vida. São já mais de 70 intervenções de arte urbana realizadas até ao momento, com o objetivo de valorizar a cidade e fomentar a cultura.

O impacto foi tão grande que atravessou fronteiras. “Fomos convidados para integrar uma rede europeia composta por vários países que também desenvolvem regularmente projetos ligados à arte urbana, com o envolvimento da comunidade”, explica Catarina Valente, coordenadora da área de projetos europeus da Câmara Municipal da Amadora.

A convite do coordenador da cidade de Parma, em Itália, a Amadora integrou o projeto Rethink, que, ao longo de três anos, dinamiza iniciativas ligadas à arte urbana participativa. A escolha do espaço a revitalizar não foi difícil. Catarina e a sua equipa já trabalham no bairro da Boba há dois anos e perceberam o potencial do local.

“Conhecida como Praça de Convívio do Bairro, a Praceta António Duarte é um lugar onde as pessoas convivem, fazem pequenos churrascos e encontros. É um espaço frequentado por várias gerações, desde as crianças aos mais idosos”, explica.

Toda a requalificação — desde a ideia à execução — foi feita pela Los Pepes Studio e contou com a parceria do Boba Studio, um projeto de intervenção comunitária que apoia miúdos e jovens da comunidade. Em junho, houve um momento de troca com os moradores, para perceber os seus desejos e necessidades para a praça. Em julho, começaram a pôr mãos à obra.

“Os jovens gostariam de ter jogos tradicionais no chão, para poderem depois brincar. Então, foram criados padrões e cores e, dentro dessa malha, estão escondidos jogos através de números e referências visuais que eles próprios conhecem”, explica.

 
 
 
 
 
Ver esta publicação no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação partilhada por Los Pepes Studio (@lospepesstudio)

A comunidade foi envolvida em todo o processo. Enquanto os jovens ajudavam a pintar e a criar a arte, os seniores sentavam-se nos bancos a acompanhar o desenrolar da intervenção. “No início, as pessoas olhavam com alguma desconfiança. Mas depois começaram a sair das janelas e a vir observar o processo e a evolução. No final, todos acabaram por se envolver na experiência”, afirma.

Para Catarina, o mais interessante é a relação de confiança que se estabelece com a comunidade. Os moradores passam a sentir-se vistos e importantes de alguma forma. Além disso, ao longo da sua experiência, percebe que as pessoas abraçam as iniciativas e passam a estar ainda mais ligadas a estes espaços. “O que antes era um sítio de convívio esporádico passa a tornar-se um espaço recorrente.”

É também através destas iniciativas que a arte chega a comunidades mais marginalizadas. “Muitos destes jovens não têm acesso aos espaços culturais ou artísticos. Levar arte ao bairro é uma forma de estas gerações serem impactadas por isso”, conta.

Além de criar um maior sentido de convívio, promover o trabalho em equipa e melhorar a estética do espaço, estas iniciativas ajudam a abrir os horizontes dos mais novos. “Alguns destes jovens do Boba Studio já pintam, desenham e agora estão a ver isto de uma forma profissional e a perceber que pode ser um futuro trabalho.”

Carregue na galeria para ver como ficou a revitalização da Praceta António Duarte.

ARTIGOS RECOMENDADOS