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Kova M: o festival que revela os novos talentos da Cova da Moura está de regresso

11.ª edição do Kova M Festival decorre entre 28 de julho e 1 de agosto com concertos, workshops, cinema, gastronomia e entrada gratuita.

Foi no palco do Kova M Festival que Soraia Ramos deu os primeiros passos na música. Desde então, a cantora luso-cabo-verdiana foi distinguida como Melhor Artista Feminina da África Central nos African Muzik Magazine Awards 2020 e ultrapassou um milhão de seguidores nas redes sociais. Um feito difícil de conquistar sem a ajuda do evento que regressa de 28 de julho a 1 de agosto para a sua 11.ª edição, no polidesportivo da Cova da Moura.

“Queremos continuar a ser o palco que descobre talento e dá oportunidade a artistas em início de carreira aqui da zona”, explica Jackilson Pereira, coordenador da Associação Cultural Moinho da Juventude, responsável pela organização do evento. Criado em 2012, o evento nasceu com o objetivo de valorizar a cultura da diáspora africana e promover um espaço de convívio e celebração para a comunidade.

Antes, a associação organizava apenas a Kola San Jon, em homenagem às tradicionais Festas Juninas de Cabo Verde. No entanto, sentia falta de um projeto mais abrangente, especialmente dirigido aos jovens do bairro. “É uma semana de atividades, que vão desde workshops e oficinas de gastronomia a iniciativas de desporto, cinema e música, com entrada livre para toda a gente”, explica Jackilson.

Embora tenha raízes na Cova da Moura, a ambição dos organizadores é afirmar o festival na agenda cultural da Amadora. A intenção passa por atrair visitantes de todo o concelho e dar visibilidade à arte e à cultura que nascem num dos maiores e mais antigos bairros com população migrante do País.

O festival decorre diariamente entre as 15 e as 23 horas. Nos três primeiros dias, o programa é dedicado a oficinas e atividades de grupo. Os dois últimos ficam reservados para os concertos. “Esperamos receber entre 1.500 e 2.000 pessoas nos dias de música. São o ponto alto do festival”, afirma o coordenador.

A edição deste ano tem como lema “Um outro mundo é possível, se a gente quiser”. A frase pertence a Godelieve Meersschaert (1945-2026), fundadora da Associação Cultural do Moinho da Juventude.

Psicóloga e ativista belga, Godelieve Meersschaert teve um papel determinante na transformação do que era considerado um “bairro ilegal” num espaço reconhecido pelos seus direitos e pela sua importância social. “Era uma frase que ela dizia muitas vezes e, apesar de já não estar aqui fisicamente, quisemos homenageá-la de alguma forma”, explica Jackilson.

O coordenador considera que foi uma das pessoas que mais contribuiu para o desenvolvimento da Cova da Moura. O próprio passou pela associação antes de integrar a equipa. “Vinha cá para estudar, participar nas atividades, fiz intercâmbios e frequentei aulas de música. Foi muito importante”, recorda.

Os organizadores acreditam que esta será uma edição especial. O festival esteve suspenso durante alguns anos devido à pandemia de Covid-19, regressou em 2024 e voltou a parar em 2025 por razões financeiras. “Atualmente, o orçamento é quatro ou cinco vezes superior ao que era em 2012. Para uma IPSS é difícil manter”, admite.

Ainda assim, a organização conseguiu reunir uma programação diversificada. No dia 31 de julho sobem ao palco Elji Beatzkilla, DJ Barata, Toru & Banda PNMB, General Mucuemba, Blacka, Ghoya e Rei Helder.

No sábado, 1 de agosto, atuam SAMBA KF, Rods Wires, Mynda Guevara, Dennyh, Batuke Finka Pé e Landim.

Além dos concertos, “há sempre surpresas”, garante Jackilson. As oficinas e os workshops serão divulgados em breve nas redes sociais do Kova M Festival. Todas as atividades são gratuitas, embora algumas exijam inscrição prévia.

Carregue na galeria para ver como foram as últimas edições do Kova M Festival.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Av. da República
    2610-303  Amadora

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