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“Não desisto deles”: a designer que decidiu abrir um pet sitting para animais doentes

Filipa Paulino lançou o Dona Bigodes, um serviço que vai além dos passeios, oferecendo apoio a animais a precisar de cuidados.

Se antigamente o trabalho era para toda a vida, hoje em dia as mudanças de emprego, e até de carreira, são habituais. Em 2025, 46 por cento dos colaboradores portugueses ponderavam mudar de emprego. E Filipa Paulino, de 41 anos, faz parte dessa estatística. Designer desde os 20 anos, decidiu seguir o seu verdadeiro propósito e abrir o Dona Bigodes, um serviço de pet sitting na Amadora, mas com uma característica diferenciadora.

“Há muito tempo que estou profundamente infeliz. Está a ser cada vez mais difícil lidar com o meio das agências, que é muito cruel. E, por outro lado, vejo a felicidade de me sentar ao fim do dia com os meus animais. É uma energia que não sei explicar”, confessou à New in Amadora.

Mas Filipa não quer prestar somente um serviço de pet sitting tradicional. Além de fazer passeios e visitas quando os tutores necessitam, deixa claro o desejo de cuidar de animais doentes e acamados, garantindo higiene e limpeza adaptadas às suas necessidades. “A marca foi criada com o princípio da diferenciação no cuidado a animais doentes. Tenho a capacidade e disponibilidade emocional para prestar este serviço”, reforça.

O Dona Bigodes, que completou um mês desde a inauguração, no dia 26 de fevereiro, oferece pacotes para cães, gatos e coelhos, sendo possível entrar em contacto através das redes sociais. De acordo com Filipa, existem opções de 15 minutos até uma hora, podendo acrescentar tempo conforme a necessidade do animal e do tutor.

Cada pacote inclui os detalhes dos serviços necessários: passear, trocar a areia, administrar medicação, fazer banho higiénico, cortar as unhas ou escovar o pelo. Além disso, Filipa leva sempre um kit com brinquedos para estimulação e diversão durante as visitas, garantindo momentos de enriquecimento e bem-estar. Também pode limpar a zona de descanso do animal, bem como levá-lo ao veterinário, se necessário.

Quando os tutores de cães vão viajar ou passar o dia fora, a designer abre a porta da própria casa para os receber, já que tem um jardim espaçoso. “E é só um cão de cada vez. É um serviço premium exclusivo, apenas para aquele animal”, garante.

Uma paixão que começou antes do Dona Bigodes

A paixão de Filipa pelos animais começou há muito tempo. “Lembro-me perfeitamente de passar dias a pedir um animal de estimação à minha mãe. Até que trouxemos um gato e fiquei dois anos com ele, mas estava doente”, recorda.

Foi aí que começou a saga de Filipa. Uns chamam-lhe karma, outros destino, mas a verdade é que quase todos os animais que a pet sitter já adotou ao longo da vida necessitavam de algum tipo de tratamento. O primeiro veio com pneumonia, o segundo com lisencefaliae [uma mal formação cerebral congénita rara] o terceiro foi um cão idoso com convulsões.

Hoje tem quatro gatos e um cão em casa. “Um dos gatos veio de uma situação de acumuladores e está a tomar antidepressivos. Eram 35 animais numa casa cheia de lixo e foram distribuídos por várias associações. A outra gatinha adotei sem saber que era FeLV, uma espécie de leucemia felina.”

Para Filipa, tornou-se um propósito de vida. Apesar de exigir muita disponibilidade financeira, paciência e responsabilidade, não quer parar. “Não sei se atraio ou não, mas a verdade é que, se calhar, enquanto muitas pessoas recebem um animal doente e desistem, eu não desisto”, diz.

A mudança decisiva

Apesar da paixão pelos animais, jamais imaginou poder trabalhar na área. Ainda assim, insatisfeita com o trabalho e cada vez mais consciente de como se sentia recarregada ao estar com os animais, decidiu arriscar no serviço de pet sitting.

“Este contacto com os meus animais é ótimo, eles são a minha vida. Mas porque não poder ajudar com o animal de alguém?” Em poucos dias decidiu o nome e usou os seus conhecimentos de designer para construir o site, o logótipo e as redes sociais.

Os trabalhos que já fez mostraram-lhe que tomou a melhor decisão. Nas visitas, leva um kit de brinquedos para cães e gatos e nem dá pelo tempo passar. “Quando dei por mim, já tinha passado da hora para a qual fui contratada, mas não foi sentido como trabalho. Era um sentimento de plenitude e felicidade genuína”, revela.

 
 
 
 
 
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O início do sonho

Hoje ainda divide o tempo entre o design e o pet sitting, mas o seu desejo é cuidar de animais a tempo inteiro. Para Filipa, o mais importante é conquistar a confiança dos clientes e prestar o melhor cuidado possível aos animais.

“As pessoas têm de me entregar duas coisas super valiosas: a chave de casa e o seu animal. Portanto, tem de ser um trabalho com muita responsabilidade.” Faz questão de conversar e conhecer o tutor e o animal antes de aceitar o serviço. Além disso, utiliza um formulário detalhado para saber todas as especificidades e necessidades do animal.

Para estadias familiares, permite também que os tutores visitem a sua casa antes de fecharem o serviço. No dia das visitas, envia vídeos e fotografias aos tutores e mantém uma comunicação ágil.

Os preços variam consoante os serviços. Enquanto uma visita curta de um gato pode ficar por 14€, já a visita longa sobe para os 19€. E se a limpeza total da liteira custa 24€, já o transporte ao veterinário custa 35€.

No caso dos cães, uma visita curta custa 13€ e uma visita média 15€, enquanto a visita longa sobe para os 19€. A visita familiar exclusiva, em que o animal fica em casa de Filipa, custa 30€ ao dia.

Mesmo estando apenas no início do sonho, Filipa diz ter demasiadas ideias para o futuro: fazer parcerias com veterinários, participar em feiras, entregar ao dono uma fotografia do animal com um layout criativo e oferecer brindes e snacks.

“No fundo, o meu propósito é esse: acompanhar animais especiais, procurar a minha felicidade e prestar um trabalho de excelência e confiança”, conclui.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias de Filipa com os seus animais.

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