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Tinha dores constantes e pensou desistir. Agora, abriu um espaço de unhas na Amadora

Jéssica Braga descobriu que tinha endometriose e pensou que teria de abandonar o sonho de ser manicure. Agora, fundou a JBM Nail Design.

Receber um diagnóstico de doença crónica representa um desafio para a vida. O medo, misturado com a desinformação, faz com que muitos acreditem que não há saída. Jéssica Braga Martinho, de 26 anos, viu-se nesse lugar de desesperança ao descobrir que tinha endometriose. Desistiu do sonho de ser manicure e sentiu a vida perder a cor. Hoje, porém, conseguiu dar a volta por cima. Mais informada e otimista, abriu a JBM Nail Design, na Amadora, onde aposta em serviços de unhas de gel, extensões e nail art.

“Foi o melhor que fiz. Tinha dores constantes, tomava medicação quase todos os dias. Agora, tomo raramente porque já não estou em stress, mas a fazer algo que gosto”, conta.

Jéssica inaugurou o espaço no dia 3 de março. Localizado dentro da loja Pour Toi, na Rua Sebastião da Gama, número 8A, e conta com um pequeno espaço para café e uma mesa onde atende os clientes. Além disso, há uma espaço que, no futuro, vai ser utilizado para fazer depilação de buço e sobrancelhas.

Serviços da JBM Nail Design

Para já, o foco de Jéssica está nas unhas, a sua especialidade e grande paixão. “Faço gel, polygel e verniz gel. Não consigo fazer acrílico devido à falta de ventilação. Também faço extensão de unhas e nail art, que adoro, além da pedicure”, explica.

Os preços variam entre os 16€ e os 40€, dependendo do nível de complexidade e do tamanho da unha. Durante o mês de inauguração, há condições especiais, como 10 por cento de desconto ou oferta de nail art em três unhas de cada mão.

A funcionar de terça-feira a sábado, das 10 às 19 horas, as marcações podem ser feitas através do Instagram ou WhatsApp.

 
 
 
 
 
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O sonho da Jéssica de oito anos

A nail designer contou à NiA que está a realizar o sonho da Jéssica de oito anos. Desde muito nova, lembra-se de ver a sua tia a trabalhar com unhas e de admirar todo o processo. “Ela ofereceu-me uma estação de manicure no Natal. Era roxa e tinha um secador. Quando recebi aquele presente, tudo fez sentido para mim”, recorda.

Aos 15 anos, já tinha a certeza de que queria fazer um curso de estética. No entanto, não conseguiu vaga à primeira e acabou por optar pela área de auxiliar de educação. “Nunca deixei de querer trabalhar com unhas”, garante.

Em 2019, fez um curso de especialização e percebeu que aquela era mesmo a sua vocação. Ainda assim, permaneceu quatro anos a trabalhar em escolas e a fazer unhas como um extra, para amigas e familiares.

O diagnóstico que mudou tudo

Em 2023, criou coragem para seguir o coração e começou a trabalhar como manicure noutros salões. Na área profissional, tudo corria bem, mas o mesmo não se pode dizer a nível de saúde.

“Sempre tive problemas desde a primeira menstruação. Tinha muitas dores ou o período não aparecia, ou tinha hemorragias muito fortes. Foram muitas batalhas com os médicos, mas ninguém dizia o que se passava. Esperei quatro anos para conseguir consulta e, em janeiro de 2024, recebi o diagnóstico”, explica.

A endometriose é uma doença crónica que ocorre quando o tecido que reveste o interior do útero (o endométrio) cresce fora dele, espalhando-se por órgãos próximos, como os ovários, intestinos ou bexiga.

Além de provocar cólicas intensas, costuma aumentar os níveis de stress e ansiedade, sobretudo pela demora no diagnóstico e por não ter uma cura definitiva. Para Jéssica, o mais difícil foi não saber o que fazer para melhorar.

“Via que era uma doença sem solução clara, sem tratamento definitivo. Fiquei muito ansiosa e com medo de tentar construir uma vida e depois perder tudo. Às vezes, fico sem sentir as pernas”, conta.

Mas o que realmente a fez desistir — temporariamente — de ser manicure foi a incerteza em relação à sua capacidade de prestar um bom serviço. “O meu maior medo era não conseguir estar presente para as clientes, continuar a acordar com dores e não conseguir levantar-me da cama para as atender”, explica.

Um ano difícil

Foi então que saiu do salão e passou a trabalhar num call center. Apesar de exigir menos esforço físico, o trabalho revelou-se um verdadeiro teste emocional. “Foi muito pesado a nível psicológico. Ouvimos pessoas muito desagradáveis e lidamos com situações complicadas todos os dias”, relata.

Em janeiro de 2025, recebeu outra notícia difícil: tinha apenas cinco anos para conseguir engravidar naturalmente, já que a endometriose pode afetar a fertilidade das mulheres. A notícia abalou-a ainda mais e fez-lhe perceber que não podia continuar no fundo do poço.

Com o apoio do namorado, decidiu arriscar e voltar para as unhas. Recomeçou em agosto de 2025, a trabalhar com uma colega. Agora, em 2026, viu surgir a oportunidade de abrir o seu próprio espaço.

O regresso à verdadeira paixão

“Adoro todo o processo. Gosto quando as clientes ficam felizes e a dizer que adoraram o resultado. Sinto-me novamente acolhida. Já não sou apenas um número, como no call center. Aqui sou uma amiga”, conta.

Apesar de o regresso ter sido assustador, Jéssica não podia estar mais feliz. Com menos dores e a fazer o de que realmente gosta, o objetivo é continuar a crescer. “Um dia espero ter o meu próprio salão e uma equipa de confiança a trabalhar comigo, com a mesma preocupação: o bem-estar da cliente acima de tudo”, conclui.

Carregue na galeria para conhecer os serviços da JBM Nail Design.

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