“É preciso mudar o paradigma, porque os velhos de hoje não têm nada a ver com os velhos de há 20 anos”. Quem o diz à New in Amadora é Elsa Mourão, médica reformada, 67 anos, e coordenadora do movimento “Amadora Compassiva”, que realiza no próximo dia 20 deste mês mais uma edição da “Conversas ComPaixão”, que pretende ajudar a envelhecer melhor.
A iniciativa, que já começou no ano passado com três edições e tem prevista seis em 2025, decorrerá quinta-feira, dia 20, entre as 14h30 e as 16 horas, na Escola da Mobilidade da Amadora (há transporte gratuito desde a Junta de Freguesia da Falagueira), e vai discutir o idadismo.
“É um conceito relativamente novo, não tão conhecido como o machismo, o racismo e outros ismos, mas tem como base igualmente o estigma, o preconceito e discriminação, neste caso por causa da idade”, explica Elsa Mourão. A médica, que é a dinamizadora das conversas, dá exemplos de pensamentos ou ações que podem ser consideradas idadismo.

“Quando dizemos, a propósito de determinado trabalho, ‘ah, aquela pessoa já não tem idade para isso’, ou quando vamos levantar dinheiro e perante duas caixas multibanco, uma ao lado da outra, não escolhemos aquela onde está uma pessoa mais velha, porque achamos que vai demorar mais tempo. Ou ainda quando numa consulta em que o paciente mais velho é acompanhado pela filha, o médico fala diretamente com a pessoa mais nova, como se o paciente mais velho não estivesse ali ou não estivesse na posse das suas faculdades”, aponta à NiA.
Elsa Mourão afirma que este encontro de dia 20, para o qual não há inscrições obrigatórias — “algumas pessoas inscrevem-se, mas outras vão chegando e entram, até porque já conhecem o conceito” — sublinha que “é tempo de aprender a envelhecer sem ser velho”.
“Como é que eu me relaciono com os outros? Como é que eu aceito ser cuidado? Porque é que eu hei de me contentar em ficar todo o dia num sofá a olhar para televisão sem exercitar o corpo e a mente? Envelhecer não são só perdas, também há ganhos e é disso que vamos falar? Terei eu força de vontade suficiente para contrariar esta inércia?”, questiona.
O projeto Amadora Cidade Compassiva nasceu em 2020 pela mão da cooperativa LinQUE, que fechou as suas portas em janeiro do ano passado, tendo sido resgatado pela Ser — Cooperativa de Solidariedade Social, que era um dos parceiros da LinQUE nesta e noutras atividades. “Foi um projeto lindo de solidariedade social, que felizmente não se perdeu completamente e que é muito necessário, até porque numa sociedade onde há cada vez mais velhos, é preciso aprender a cuidar deles de outra forma”, explica a médica, para quem, apesar das várias campanhas de sensibilização e voluntariado, “a sociedade continua a não estar preparada para lidar com eles”.

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